As Presidenciais nos EUA, o FBI e os emails de Hillary

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

De facto a campanha para as Presidenciais dos EUA não podia ter decorrido pior! Além de os dois “derradeiros” candidatos, quer o Republicano, quer a Democrata, terem sido os piores (no primeiro caso), apesar de os restantes terem ideias bastantes reaccionárias não fariam as figuras horrendas que Trump tem feito, sem uma única ideia consistente para o que quer que seja. Mas é apoiado por quase metade — ver-se-á se não mais de metade —, dos votantes dos EUA. E no segundo caso, por certo Sanders faria muito mais pelos EUA, que Hillary, que se envolveu em trapalhadas evitáveis para um pretenso Presidente, não só com os emails, mas também com um passado pouco explicado quanto à Fundação Bill Clinton e não só, não só, e nada de referir vidas privadas, “isso” problema do casal. Mas no meio desta confusão, em que tudo foi tratado pela rama e que se andou a atacar o outro ao mais baixo nível possível, o FBI conseguiu fazer o que nunca deverias ter feito. Ou seja, no meio da balbúrdia da campanha, ter em conveniente tempo encerrado o processo dos emails, de “serviço” de Hillary quando Secretária de Estado, que estavam no seu servidor pessoal – e nunca tal deveria ter podido acontecer — por não haver qualquer prova criminal, mas na penúltima semana ter voltado a abrir o processo, e “depois”, a dois dias do final da campanha, considerar que afinal este “novos” emails “não apresentam indícios criminais”. Isto, para o circo já instalado, para um Trump de cabeleira espaventosa, focado no seu “eu” e só no seu “eu”, na sua mais recente “esposa”, nos seus crescidos filhinhos, no seu Boeing com Trump escrito com todo o brilho, de tudo que de seu demonstra um “eu” de fachada e sem conteúdo — mas o sonho de bastantes americanos e não só — aparecerem suspeitas do FBI outra vez sobre os emails de Hillary é maravilha!

Fica-se com a impressão, se não a certeza,  de que o FBI na completa dúvida de quem será o “eleito”, quis desembaraçar o problema, não para fazer bem o seu serviço mas para no dia 9 de Novembro estar de bem com a “Deusa” e com o “Diabo”. Ou seja, tratou de tudo limpidamente e, se for Hillary, engraxou bem a passadeira vermelha, para não aparecer nenhuma recaída tardia — email no servidor de quem possa ter sido —  levantada por Trump e seus comparsas, mas se Trump ganhar, também estava tudo segundo tal o figurino ! Claro que “isto” virou “ ainda mais baralhada na campanha, permitindo a Trump dizer mais barbaridades e Hillary ficar a fazer que estava bem consigo e com os americanos, não sabendo se de facto assim seria. Este é o espelho refulgente de como estão hoje os EUA, e é lastimoso. E se ganhar Trump, o “Diabo” — ainda não é impossível — , o FBI também não vai estar bem, por ter afinal “não “incriminado Hillary, à última, mas se ganhar esta, o FBI não estará bem por ter dito o desdito, algo gravíssimo em cima dos últimos dias das eleições. E se o FBI está assim, como estarão as restantes Instituições norte-americanas, que já não só o futuro Presidente, seja qual for dos dois? Claro que se for o “Diabo”, por definição será pior! E chegados a 9 de Novembro não só nos EUA, mas por todo o mundo está-se no tempo de parar para pensar, do que nos abeirámos e aonde mais vamos querer renegar, para tudo arruinar. E se ainda acreditamos na Democracia, os que ainda sabemos o que de facto é, façamos todos, todos algo em sua defesa. Aproveite-se a maré, com este exemplo aterrador vindo dos EUA, para reformular a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a NATO, a União Europeia, e varrer as pessoas que ocupam nestas Instituições, lugares para seu governo pessoal/exclusivo. Coloque-se alguém que não seja missionário  mas tenha algum bom senso e sentido de serviço publico e Humanitário! Urge fazê-lo!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 7/11/2016