Marine Le Pen poderá chegar à presidência francesa

 

Mais uma encruzilhada para a Europa na segunda volta das eleições em França, para Presidente da Quinta República. Isto porque o vencedor pode vir a ser, desgraçadamente, a extrema-direita chefiada pela filha de Le Pen, a já célebre Marine. Passada a primeira volta em que todos os candidatos, excepto a Senhora Marine Le Pen, deram tiros nos pés, escapou para a segunda e decisiva votação, agora a 7 de Maio, Emmanuel Macron. É supostamente um candidato independente e neutro, algo sempre estranho! Claro que no meio da balbúrdia Marine Le Pen acabaria por estar sempre presente na segunda volta, “contra” qualquer um dos outros candidatos. Veja-se ao que chegamos no País, supostamente da Liberdade, Fraternidade e Igualdade. Claro que aquilo que aconteceu na primeira volta é mais um espelho do que de muito mau está a suceder na Europa, que deveria unir-se, em vez de seguir os desígnios declarados de Vladimir Putin e mais escondidos de Donald Trump, de se desconjuntar. Se na segunda volta muitos dos que votaram no candidato da extrema-esquerda —Jean-Luc Mélenchon —, que também teve tiques de extremismo, tal como tem Marine Le Pen, em sair da Europa, do Euro e fechar-se a França sobre si mesma, não quiserem tapar o retrato de Macron e à frente colocar a cruz, estarão a dar o voto a esta, por abstenção ou por negação.

O nosso País em muitas áreas, apesar de tudo, tem sido um “caso de estudo” muito positivo para a Europa e não só, quer com o actual e legitimo Governo e como foi formado, e evidentemente com o actual e muitíssimo bom PR, Marcelo Rebelo de Sousa. E, quando numa segunda volta presidencial, ganhou Mário Soares, os nossos comunistas deram ordens aos seus camaradas para votar em Soares, tapando o retrato. Será de Mélenchon, que em questões de natureza política, apesar de não ser ligado à ex-União Soviética, como era Álvaro Cunhal, não saberá seguir o exemplo deste? A França, hoje — já vem de trás — está nada bem, para não dizer muito mal. Tem um défice além do que é permitido pela (des)União Europeia, e nada lhe acontece por ser a França. Tem problemas graves de desagregação interna, por não ter sabido a tempo lidar com muitos residentes e hoje de nacionalidade francesa que vieram das antigas colónias e não só, e foram “vivendo” em guetos. A França não está bem, mas ficará muito pior se a extrema-direita, de Marine Le Pen, ganhar, e aí toda a Europa ficará a perder. Assumida a saída do Reino Unido, “malgré tous”, que sem Europa não se “safa” mas ajudará a mais desconjuntar uma Europa já muito estragada, com uma Hungria — e não só — , cá dentro, a puxar já para a ditadura. Emmanuel Macron, apareceu como candidato ao Presidente da República Francesa e chegou à segunda volta por total negação de todos os outros. Espera-se que os francesas e os franceses, façam como se tem feito em muitos outros locais pelo Mundo em eleições e não só, que é votar em Macron, o menos mau, o mal menor. Seria um desastre, um terror, termos a extrema-direita em força em França “comandada” pela filha de Le Pen. Já nos bastam o Brexit, o Trump, Putin, Erdogan, e mais uns quantos!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 2/5/2017