Trump quer afastar Merkel e fragilizar a União Europeia

 

Facilmente se entende que apesar das figurações / distracções / inconveniências de Donald Trump, este tem um objectivo premeditado a atingir com a tal “América first”, que é o de afastar todos os que lhe possam fazer frente. No exterior, é o caso de uma União Europeia coesa. O problema é que o “espírito europeu” de facto não existe, excepto numa pequena minoria. Isto, apesar do dinheiro que a União Europeia “lançou” para os países mais pobres, que hoje dela fazem parte, e para outros que se candidataram a entrar. O espírito que uniu a Europa no pós II Guerra Mundial, o que se pensou ser a forma única de nós, europeus, deixarmos sistematicamente de andar a matarmo-nos e a fazer guerras entre nós, estará hoje esquecido.

Donald Trump não sabe, ou não quer saber dessa imensa tragédia europeia do passado — se calhar nem a localiza bem no espaço e no tempo —, mas sabe que os EUA, ainda são maior potência mundial, de quem democraticamente é Presidente. E que pode e deve, na sua lógica de poder, afastar todos que lhe façam frente, interna ou externamente. E como é “negociante” está a fazer isso como Presidente dos EUA. E negoceia tudo, mas em seu próprio proveito. Manda na Casa Branca como mandou nas Torres Trump, ou nas suas empresas. Apesar de tudo, vai-se dando bem com Vladimir Putin, até por existir, de momento, um adversário comum a desunir: a  União Europeia.

Tanto Trump como Putin têm interesse em dividir a União Europeia, retirando-lhe a possibilidade de lhes fazer concorrência. Assim, a hipótese de Trump ter chegado a Presidente dos EUA apoiado pelo actual “czar” da Rússia não poderá ser posta de parte, dado ser a ambos útil. Neste momento a única pessoa, que parece ainda ter forças para unir os europeus, admire-se ou não, é Angela Merkel, apesar de estar a perder terreno para o seu Ministro do Interior, da CSU da Baviera. Mantém algum prestígio quer internamente, quer na Europa, quer no mundo. Daí os ataques de Donald Trump a Angela Merkel. Seja incentivando, pelas piores razões, mais e mais migrantes vindos dos confins de África a baralhar mais alguns países que deixaram — se alguma vez estiveram (?) — de estar unidos nesta União Europeia, seja corroendo por dentro a própria Alemanha.

Trump parece não ter dúvidas de que é o caminho a seguir. E se amanhã e depois a Europa não se conseguir entender, por a Hungria querer encaixar-se dentro de “muros” para se isolar, ou a Áustria se aproximar de Vladimir Putin, para se manter “neutra”  — seja lá isso o que possa ser —, por já não conseguir voltar a ser um Império. Ou devido à Polónia nem sequer conseguir saber se no tempo de Hitler e do Holocausto, teve no seu território. campos de concentração. Todo isto junto é mau e poderá ajudar a afastar Angela Merkel. Quando isso acontecer — e pode não estar longe de ocorrer —. a União Europeia, para júbilo não escondido de Trump, fica (ainda mais) irrelevante.  No pior cenário, Helsínquia será o primeiro passo para Trump e Putin se encontrarem e distribuírem os despojos da União Europeia. Para Trump, a única coisa que importa é que América seja sempre first.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 28/06/2018