Uma Europa indigna dos valores civilizacionais e humanistas de tantos séculos

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

A cada dia que vai passando constatamos com desânimo, que estamos a viver, há uns vinte anos, numa Europa que perdeu totalmente o rumo. E, então, nesta última década a situação vem-se a agravar assustadoramente, e nestes recentes cinco anos, vai de mal a pior. Seja por termos sido durante séculos o centro do Mundo, e não estarmos a conseguir continuar a sê-lo, pelos mais diversos motivos, externos e internos, e neste caso até, por desistência de o saber ser. Seja por termos, naturalmente, em tantos séculos cometido erros – somos humanos e evidentemente, falhamos – e prejudicando outros seres humanos, parece que passamos, agora de gatas, unicamente a termos a que pedir “perdão”. Seja por estamos a achar que o História e a Memória são unicamente os últimos meses, em que só temos feitos disparates públicos, publicados e imediatizados, cada um a sobrepor-se ao disparate anterior? Será que, hoje, só fazemos disparates?

Disparates contra nós, contra a Europa num todo, contra cada País que deveria constituir num tempo global a unidade Europeia, contra um futuro digno, cujo passado esforçado e bem-sucedido, foi durante tantos, tantos anos construído com imensos sacríficos por tantos que nos antecederam. Estamos a estragar tudo, quer no aspecto humano, quer no aspecto civilizacional, estamos a desfazer tudo, tudo. E os últimos exemplos – sempre públicos e publicados – como a recepção do Chefe do Irão, acompanhado de montes de petrodólares, para na ocasião despejar em Itália, depois em França, depois, onde tenha que ser, e com o Corão, interpretado à sua maneira e não como se supõe “ser”. E, tal implicando esta “ainda” Europa flagelar-se, tapar-se, humilhar-se, esconder-se, abafando séculos de existência Europeia, de Civilização Greco-romana, de supostos princípios de tolerância, até religiosa.

Se no século XX estávamos com uma Europa oficialmente laica, mas com tolerância às três maiores Religiões, ou seja Judaica, Cristã e Islâmica, fomos, nestes inícios do século XXI, tapar a segunda a mais representativa neste nosso espaço Europeu, para deixar humilharmo-nos por uma pessoa que com dinheiro – pelo qual se vende a vida sem quaisquer escrúpulos – na mala, como se tal representasse o Islão, veio cá às “compras”. Aonde chegamos, aonde chegaremos? E, nunca deveríamos apagar quaisquer sinais da Religião Cristã como se tentou, disparatadamente fazer, com o argumento de laicidade, sem cruxifixos em locais públicos, nunca deveríamos proibir o uso da burka, como foi feito, erradamente, em França, com o fundamento do medo de atentados, e estes deram-se em Paris, sem ser tapados por burkas, e nunca deveríamos proibir Sinagogas – e fizémo-lo –, nem deveríamos criticar não-crentes, e fazêmo-lo.

Não podemos, não devemos – mas estamos a escandalosamente a fazê-lo – de repente apagar, tapar tudo o que é a nossa Existência como Europa, com base Greco-Romana, as nossas Origens, em favor de alguém que traz consigo dinheiro do petróleo do Médio-Oriente, e supostamente atrás de uma das Religiões, nos vem comprar, e nós, em desespero, vendemo-nos! A que ponto estamos a chegar? De que mais formas nos vamos todos vender? Que mais vamos fazer para nos invadirem com dólares. Que mais vamos tapar, esconder, ter vergonha de ter e mostrar? A par disto temos países que fazem parte desta Desunião Europeia, que estão a querer desfazer Schengen, criando muros dentro da Europa, criando ditaduras dentro da Europa, criando legislação contra a Europa, e agora escondermos os valores civilizacionais e humanos que foram nesta Europa criados ao longo de séculos e séculos, é arrepiante. Hitler não faria melhor. Que mais vamos fazer, lutar contra as liberdades das Mulheres, contra a sua muito admirável e assumida independência do Homem, contra a sua bem desejada, adoptada, válida sexualidade, contra tudo o que construímos com suor, sangue e lagrimas e vergonhosamente estamos a destruir e admitir que nos destruam. Que legado ficará para as gerações que nos seguem?

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 31/01/2016