As más negociações do Brexit são positivas para a UE

 

Quando se pensou que uma primeira saída da União Europeia (o “Brexit”), poderia desencadear uma série de vontades e possibilidades de outros países seguirem o mesmo exemplo, está-se a verificar o inverso Apesar de muitos erros feitos neste “sonho” europeu, foram sendo dados passos em conjunto totalmente impossíveis há 70 anos atrás.  Hoje podemos circular na maioria dos países europeus como se estivéssemos dentro de cada país, sem fronteiras, sem limitações, sem documentos especiais para o fazer. Podemos importar e exportar tudo entre os países europeus sem a complicação e burocracia de fronteiras.  Conseguimos fazer ligações telefónicas entre o Norte, o Sul, o Oeste, e o Leste europeus sem quaisquer dificuldades. E mais vantagens fomos adquirindo por “estarmos num espaço comum europeu “. Apesar de muita conversa sobre nacionalismo, soberania e fronteiras, quando chegou a hora de um país dar o passo de saída afinal não são tudo maravilhas, bem pelo contrário. Perde-se mais, apesar de tudo, ficando de fora.  É um pouco como quando parece que ter família retira liberdade e autonomia, mas a realidade é que não a tendo o isolamento é muito mais doloroso O “Brexit” prova tudo isto.  O Reino Unido foi um Império, hoje, são umas ilhas isoladas e solitárias  — num tempo de unidade — ali no meio do Atlântico, já não tem colónias onde se apoiar e até os EUA se afastaram.

Assim, está demonstrado que em vez de nos guerrearmos como europeus, devemos fazer o possível, e o quase impossível, para nos unirmos aumentando as possibilidades de crescimento e de dividirmos tarefas, num todo europeu.  Ou seja, o “Brexit” está a demonstrar que continuando europeus só temos nisso, benefícios e são muito positivos. E claro que, os britânicos sempre se acharam diferentes, na condução automóvel, na adopção de pesos e medidas diferentes dos outros, mas, quando eram um império, isso era importante, hoje sozinhos de nada vale. Claro que países que saíram da esfera totalitária soviética e hoje estão na Europa, ainda não digeririam a liberdade democrática, mas se olharem o “Brexit” e até a Federação Russa  — que, apesar do seu tamanho em dimensão territorial, pouco bem-estar tem — mais vale não desfazer a Europa. E se deixarmos centralizar as forças armadas, as relações exteriores e a segurança num todo europeu,  teremos  algo que unido é muito mais eficaz. Apesar de muitos contratempos, mas  tomando como exemplo o incerteza e consequências do “Brexit” para o Reino Unido, podemos assumir que uma Europa unida nos faz maiores e melhores.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 18/11/2018