Bolsonaro, uma réplica de Trump na América do Sul

 

Será avisado os  brasileiros não terem ilusões quanto ao que irão ter pela frente com o seu Presidente, o mesmo se poderá dizer para o resto do mundo. Novamente  — e tal como na Alemanha dos anos 1930  —, chegou-se ao poder pelo voto, ainda em democracia, mas, depois, vão surgindo laivos de autoritarismo que a subvertem, ou, pelo menos, tentativas de o fazer. E os exemplos repetem-se um pouco por todo o lado, com mais ou menos “batota”, com mais ou menos recurso à manipulação pelas redes sociais. Já temos Orbán,  Erdogan,  Salvini, Putin, Maduro, Trump e agora também  Bolsonaro.  Na tomada de posse  deste último, até os mais distraídos puderam perceber o seu plano político que foi bem frizado. Uma “misturada” propositada entre família, presidente e Deus. Uma exclusão clara  dos que não farão parte do futuro do Brasil: todos o que não sejam direita, ou que defendam qualquer outra ideologia “socialista”. Bolsonaro é um Presidente que defende que “isto” vai entrar no  sistema; e “se não estás comigo  estás contra mim”. Sendo militar mesmo que não no activo,  pretende usar a lógica militarista para pôr tudo na “ordem”. Tal como Trump, que tanto elogiou o discurso de Bolsonaro, vamos ter maus ventos da América do Sul a conjugarem-se com os que já sopram  em força na América do Norte.  Vários outros  políticos autoritários estão também no poder um pouco por todo o mundo,  alguns já atrás mencionados, outros poderão ainda surgir nos tempos mais próximos. Se acharmos que todos estes acontecimentos são “normais” devemos também perceber que estará próximo o fim das democracias liberais, pelo menos tal como as conhecíamos na segunda metade do século XX.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 2/01/2019