Coletes Amarelos: via aberta aos Populismos e Nacionalismos?

 

 

Quando não se quer encarar a realidade, arranjam-se pretextos para tudo tão “normalmente” ter de acontecer. Este movimento que agora rebentou em França infelizmente nada tem a ver com o  muito progressista, também em França, Maio de 68. Estes Coletes Amarelos são o contrário. A ideia de que em França se progride já não é verdade, bem pelo contrário. A França, como vários países europeus, e outros no mundo, está a regredir em matéria de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. A luta dos Coletes Amarelos que, para já, não tem liderança visível,  é um polvo onde há também ideias xenófobas, nacionalistas e de fechamento. Podem alastrar com consequências trágicas. Para além do que Macron possa ter feito menos bem, ou de forma errada, poderá esta a dar-se o poder, de bandeja, à desordem, ao vazio, e a estragar muita coisa para depois ser retomada por alguém. Quem?  A questão é que  podem ser movimentos não democráticos a fazê-lo. Marine Le Pen já está a aguçar o engenho, cavalgando a desordem, para com mais apoios nos extremos do espectro político — já não interessa se de direita, ou de esquerda — tentar ocupar, ou ajudar a ocupar, o vazio de poder criado.

Dos cacos vão levantar-se patriotismos, vão-se aprumar já não fascismos (até por nem haver ideias de como o fazer), mas nacionalismos agressivos que, pela força, irão reprimir. E com esta suposta forma de luta,  que se tornou violenta, que parte e destrói sem explicar qual a forma política de fazer diferente, vai-se “abrir um fosso”. Já temos na Andaluzia a extrema-direita a menorizar os direitos da mulher, a tentar proibir o aborto e pretender voltar ao tempo em que a mulher ficava em casa. Estão a ressurgir circunstâncias, aqui na Europa,  parecidas com as que que fizerem chegar Hitler, Mussolini, Lenine e tantos mais ao poder. Hoje já temos Trump do lado de lá do Atlântico em conluio com o ex-KGB, Putin e dando cobertura a Bolsonaro. Para além deles, há Erdogan, Maduro e aqui já connosco Orbán!  As manifestações de Coletes Amarelos, que parecem sem ideias e sem ideais, podem levar ao poder novos autoritarismos. Poderá ser tarde para recuar, se já não o é hoje. E as gerações que nasceram em democracia e nunca viveram em ditaduras, irão provar e não vai ser nada bom para elas. Mas ajudaram a escolher esta “alternativa”…

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 8/12/2018