Não à proibição do uso de símbolos políticos, filosóficos ou religiosos

 

A proibição do uso de símbolos políticos, filosóficos ou religiosos numa empresa se “tal” estiver estipulado que assim seja nos “regulamentos” da empresa, é justa e deve ser seguida segundo decisão deste mês de Março de 2017 do TJUE (Tribunal de Justiça da União Europeia). Os juízes do TJUE pronunciaram-se sobre dois casos que já haviam passado pelos Tribunais nacionais, na Bélgica em 2006 e na França em 2009, em que duas trabalhadores / muçulmanas foram proibidas de tapar a cabeça com um lenço e processaram os seus empregadores por discriminação. Como é evidente tal não deveria ser proibido, as pessoas devem vestir-se “decentemente” no local de trabalho e como tal serem livres de o fazer. E, até em muitos casos para protecção da roupa do trabalhador / trabalhadora, ou por “normas da empresa” são disponibilizadas indumentárias para utilização adequada — fornecidas pela empresa — e só essas podem e bem ser usadas, quando se está em funções. Vai de pessoal de saúde, segurança, aviação, supermercados e um sem fim de empresas e instituições. Desde que tal, não “tenha/deva” acontecer, e o trabalhador / trabalhadora vá correctamente vestido, não deve haver qualquer tipo de proibição seja do que for, mormente de símbolos políticos, filosóficos ou religiosos. E se formos “estendendo as proibições” mais dia, menos dia quem tiver tatuagens — algo que por vezes não é tão lindo como possa parecer — tem que as raspar ou tapar para trabalhar, não pode usar crucifixos que sempre usou, não pode ir vestido com determinada cor, e um sem fim de proibições só para proibir, se seguirá e será assustador. E o TJUE dará o seu total apoio e concordância!

Hoje, ou melhor desde o início do actual século, quanto a símbolos religiosos, tende-se — nalguns países europeus — a fazer um braço de ferro com tudo o que seja “muçulmano”, isto, para agradar a uma certas correntes nacionalistas que varrem este velho Continente à deriva. Uma vez que a Europa perdeu todos as políticas e políticos — “de facto e de qualidade “ — que ajudarem a reconstruir a Europa Democrática e Civilizada do pós- II Guerra Mundial, e desaparecem no final do passado século passado. E num tempo global em que na Europa o Cristianismo Europeu, estão ambos em vias de extinção, onde se foi querendo deixar “entrar”, por ser necessária a sua mão-de-obra, muçulmanos que foram colocados em guetos em vez de incluídos harmoniosamente na sociedade. Quer-se hoje proibir tudo que seja diferente do que se acha faz o Estado-Nação. Isto tem laivos no futuro, de mau agoiro, indo buscar exemplos aqui vividos há pouco mais de 70 anos. Isso, é o que a Turquia, a Rússia e não só querem fazer à sua maneira, para eles e com eles, domesticando quem lá vive! E causando-nos mal-estar por os não os aceitar e pior, não os transcrever! Logo, a Europa como um todo ir pela mesma via proibicionista, vai ser um fim de um tempo democrático, e vai doer-nos muito! Muito, mas depois será tarde!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 15/03/2017