Obama, a Rússia e a ingerência nas eleições: fazer tarde o que faltou antes

 

Que a Rússia nunca deveria intervir em eleições de qualquer país livre é linear, e ainda mais se esta suposta — e mais que certa — intervenção aconteceu e influenciou o resultado das eleições nos EUA. Ao que parece, agora, a menos de um mês de estar a largar o lugar, Obama vai anunciar sanções à Rússia pela ingerência nas eleições internas dos EUA. Claro que mal o faça, o Donald Trump e as suas trumpalhadas aparecerão e vai twitter a escrever que, no dia 20 de Janeiro, anula tudo o que possa ter sido feito por Obama nestes últimos dois meses. E não só! Obama está a caminhar em falso. E não lhe fica bem. Neste caso, apenas poderia colocar o FBI e todos os serviços internos de investigação a “passar a pente fino” o que terá acontecido. E, se provado, fazer chegar os resultados a todos os senadores republicanos e claro democratas, e à ONU. Que deveriam — mas nada conseguiriam — pressionar Donald Trump a tomar uma medida.

Como é evidente, Trump, não vai tomar medida nenhuma dado que “isso” implicaria analisar a sua – dele – própria eleição, o que poria em dúvida se não teriam os americanos que repetir a mesma. Tudo o resto, agora, é fazer de conta, e achar que vale fazer qualquer coisinha a semanas de deixar a Presidência dos EUA. Nada, zero. E o que fez, agora, “contra” Israel na ONU, abstendo-se o seu Embaixador em supostos alertas, deveria ter acontecido desde há oito anos a esta parte, desde o primeiro mandato. E, agora o que faça para mostrar “poder” nestes últimos dias, não só é fora de tempo, como é para o Donald Trump “deitar abaixo”. Não sai bem na fotografia Obama, dado que ao tomar estas atitudes quase em desespero, faz abrir a tampa da caixa de “coisas” que ficaram por ser feitas, enquanto foi Presidente dos EUA, como o não fecho de Guantánamo, a não actuação na Síria, o não empenho a sério no Médio Oriente. E, tardiamente dar sinais de que está ainda presente e ainda é Presidente, no mínimo é desnecessário e no máximo dá-lhe uma imagem de desesperado no fim do mandato.

Claro que Trump na Presidência dos EUA no mínimo é uma Trumpalhada e não augura nada de bom, mas tarde e a más horas, já nada vai ser resolvido. O homem não se vai demitir, não vai deixar de dizer disparates – faz parte da sua maneira de estar — e a partir de 20 de Janeiro a fazê-los, mas Obama com estres “arranques” de sobrevivente, para ficar bem na História/Memória,  já nada vai conseguir travar, bem pelo contrário. Talvez seja melhor começar a arrumar os seus pertences e tudo o necessite a partir de 21 de Janeiro, e deixar o tempo rapidamente passar. A figura de Trump é de pavor e a de Obama aflito, até por não ter havido Bernie Sanders na campanha dos Democratas que tinha mais hipóteses de ganhar que Hillary Clinton. A imagem de Trump é por natureza detestável, algo de que o próprio não desgosta, e a de Obama pode agora passar a ser muito má, até a titulo não exemplar, por não ser possível candidatar-se três  vezes, e achar que se fosse tinha ganho. O tempo de todos passa uma vez e convém saber assumir quando se perde.  Aqui Obama perdeu dado que Hillary seria quase impossível ganhar! E ficou muito por fazer na Síria, na Crimeia, em Guantánamo, e já é tarde!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 29/12/2016