Refugiados da II Guerra Mundial vs Refugiados na Europa do século XXI

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Os Refugiados da II Guerra Mundial, não há dúvidas quanto a isso,  fugiam por ter que fugir, uma vez que lhes destruíram tudo o que tinham na sua “terra”, terra esta na Europa. Hoje os Refugiados são de fora da Europa, maioritariamente, e, em parte, exactamente pelos mesmos motivos dos anteriores. No entanto, pelo meio,  há também “migrantes económicos”: movem-se pela procura de melhores condições de vida na Europa do que nas suas terras. Assim, uma das diferenças, hoje, é de quem sai da sua terra por lá não ter como continuar por razões fundamentalmente económicas. Por outro lado o movimento “obrigatório” de Refugiados na II Guerra na Europa, nomeadamente do Norte/Centro para o Sul, e no caso para Portugal — país supostamente neutro, apesar de germanófono — em fuga à quase certa morte provocada por Hitler, por Himmler e por outros às ordens do primeiro (alguns até com gosto em o fazer), era de Pessoas que se viam obrigadas a sair dos seu Países, para outros normalmente menos desenvolvidos.

No nosso caso, a vinda de pessoas da Áustria, da Alemanha, até de França — invadida igualmente pelo Nazismo —,  eram cultas e mais desenvolvidas que nós no modo de vida. Isto ocorria também porque aqui, na Península Ibérica,  houve um sistemático bloqueio quanto ao progresso, tendo a França, em tempos recuados,  sido a barreira ao Protestantismo que levou a ficarmos   mais atrasados e bloqueados face às ideias e desenvolvimento económico do Norte da Europa. E esses Refugiados vindos do Norte/ Centro da Europa durante a II Guerra Mundial, e até antes, começaram em 1933 quando Hitler subiu ao Poder, amplificaram-se em 1938 quando invadiu a sua terra natal, a Áustria – e perseguiu assustadoramente os Judeus  — aumentando a  vaga de refugiados até 1944. Estes eram maioritariamente cultos e tinham uma vida mais “à frente” que nós. Hoje, sem desprimor algum, os Refugiados estão maioritariamente com um nível de desenvolvimento inferior ao nosso, e procuram a única saída para não morrerem, que é imigrar/fugir para a Europa. Os que vêm pelo meio, que são unicamente migrantes económicos em procura de melhor vida, evidentemente não podem ser considerados verdadeiros Refugiados. Não o são.

Esta distinção ficou de ser feita, mas não o foi, e deveria tê-lo sido. Hoje, a Europa além de mutoas outras crises, tem um panorama de Refugiados e migrantes, já cá dentro mal distribuídos e menos bem acolhidos por incapacidade de se unir, e vai ser grave. Isto, por que no meio dos verdadeiros Refugados vêm muitos que não o são, e outros que até o sendo acham-se só com direitos por Refugiados o serem. Os Refugiados da II Guerra Mundial não se achavam só com direitos, e também assumiam deveres — quem isto escreve é filho e neto de Refugiados, austríacos, de Hitler — e muitos faziam Portugal o local não de permanência, mas de passagem para o Continente Americano. Na II Guerra Mundial vivíamos aqui em ditadura e fechamentos, hoje estamos em Democracia e abertura. Diferenças que deviam ser melhor estudadas, e, já agora,  assumidas por todos e não só por alguns a bem de uma Europa melhor e de um verdadeiro acolhimento aos  genuínos Refugiados. E lembrando-nos que a História e a Memória têm muito, muito mais que um mês, um ano, ou um século!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 25/11/2016