Refugiados só entram na Hungria passando por arame farpado

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Para além do “muro”, que a Hungria fez e colocou para delimitar a fronteia com a Sérvia, agora, terminou a instalação de uma vedação de arame farpado com uma extensão de 41 quilómetros, ao longo da sua fronteira com a Croácia, para travar o fluxo de migrantes. E, pretende ainda, aferrolhar a sua fronteira com a Roménia. Está-se a referir um país que faz parte da União Europeia, que nem se dá ao cuidado de suspender Schengen, coloca, antes, vedações, muros, arame farpado. Nem animais que não Pessoas, por demasiada gente não são tão desprezivelmente tratados. E a União Europeia, como em tantas outras situações, neste caso desde há 4 anos para cá, faz de conta que não vê, não sabe, não existe.

De facto a União Europeia deixou de existir. De facto é um aglomerado de Países independentes, que se situam no mesmo Continente. Alguns até têm uma moeda única, o Euro, dado que a União (?) Europeia em vez de política, foi para alguns monetária – o dinheiro manda, é poder, decide – mas nem esta como seria de esperar, funciona. Nada funciona na União Europeia, mas dá para ter muitos burocratas e mais burocratas em Bruxelas e não só. Dá para pagar chorudos vencimentos e mais regalias e regalias, a umas quantas pessoas se intitulam representantes da dita União. E nada funciona, uma vez que a ideia é não funcionar. E “isto” já vem a acontecer há tempos excessivos. E não pode assim continuar, com o risco de tudo rebentar de vez. Como e bem, escreve José Pedro Teixeira Fernandes (ver Público online “Os refugiados não são migrantes económicos!”), seria de distinguir Refugiados com direito a asilo político, dado estarem a fugir dos seus países por lá não poderem viver, e Migrantes que são outros que procuram vida na Europa, independentemente da situação, politica, nos seus países. Os primeiros seriam recolhidos, os segundos bem tratados terão que regressar.

E, claro, haver uma política conjunta europeia, que não será fácil. Impossível, talvez! Haver negociações com os EUA e tratar do problema base, a situação em total destruição na Síria, no Iraque e dar “conta” do ISIS. E pensar em auxiliar, seriamente, a Líbia! E claro reagir de uma vez por todas severamente conta o Sr. Putin – nunca conta a Rússia, que até pode vir a ser nossa aliada – que para além de ter anexado a Crimeia retirando-a da Ucrânia, está a facultar armamento à Síria para confundir ainda mais esta Europa sem governação. E, os média chegarem ao bom senso, de que o que de tão grave está a acontecer não é uma série televisiva de grande impacto, antes, é a consequência de uma guerra, aqui tão perto da Europa, e que está não tem a mínima ideia de como atenuar, e ajudar a resolver. E esquecemo-nos todos, todos, tão gloriosamente que há 70 anos acabou a II Guerra Mundial, aqui começada e acabada na Europa e que nada apreendemos bem pelo contrário.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 19/09/2015