A vitória de Macron foi o mal-menor, só!

 

As últimas eleições locais e até por países, e aqui Portugal foi e é uma excepção, quer com o actual Governo e ainda muito mais com o actual PR, têm sido “escolhas para um mal menor”! O caso de Emmanuel Macron é mais que evidente que a escolha francesa recaiu nesse “mal-menor. Seria dramático ter hoje Marine Le Pen na Presidência de França por duas razões evidentes, que iriam esfrangalhar de vez a Europa, e claro a França. E os franceses e as francesas, na hora de “votar” tiveram isso em ponderação! A primeira seria um isolamento total da França relativamente ao resto da Europa, neste tempo Global, apesar da Europa ainda não saber como se fazer “de facto” unida! A segunda um apoio indirecto ao Reino Unido, nas negociações — supostamente em curso — do Brexit, que passaria a ter a força da França para exigir o máximo, de uma União que já não está unida mas que se iria totalmente desconjuntar. Assim, temos Macron à frente dos digamos, “destinos “ da França, com um Programa e um Governo — avec um peu de tous —, que tenta agradar a todos, da esquerda à direita, passando pelo centro, mas que não está nem num caso nem no outro, bem delimitado.

É uma mistura de tudo para tentar salvar uma França com uma grande dívida, um grande défice, um grande desemprego e problemas “raciais” internos. Logo, não vai ser nada fácil quer para Macron, quer para a própria União — desunida — fazer-se mais unida, mas o contrário seria muitíssimo pior. Daí tal escolha em França, também, do “mal-menor”, que a todos alegra, de Norte a Sul da Europa. E como por certo a Frau Merkel continuará chanceler a partir das eleições em Setembro próximo na Alemanha, o seu eterno e “adorado” ministro das Finanças, Sr. Schäuble, mantem a sua posição rígida de que cada país tem que melhorar as suas contas, antes de pedir à União/ Bruxelas — leia-se Alemanha — que os ajude. Esperemos que este mal-menor resulte, e desejamos que o exemplo de Portugal quanto ao PR e ao Governo se multiplique, mas com cuidado, com bom-senso e sem euforias exageradas, para não nos trazerem desgraças inesperadas e já vividas não longinquamente!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 20/05/2017