“Mein Kampf” de Adolf Hitler, reeditado em 2016 – lições para o tempo presente

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
A “Minha Luta” de Adolf Hitler que não poderia ser reeditado, antes de passados 70 anos da morte do seu autor, em 1945, quando a Rússia invadiu a Alemanha, pode agora sê-lo e bem, apesar de críticas de alguns. Não se deve esconder o que não pode nem deve ser escondido, e muito menos se deve “tapar” a Memória e a História, com medos de que tudo possa ser repetido, quando hoje, em cheio, o está a ser, essencialmente no Medio Oriente e “arredores”. E, veja-se o corte esperado de relações entre o Irão e a Arábia Saudita, e, claro o Daesh. Tudo parece acontecer do novo, quando tudo já aconteceu, e se repete. Logo, não vale esconder, muito menos nos dias de hoje, quando se vai à Internet e se “pega” em tudo e em nada, e aí, sim, é perigoso, dado que se pode estar a ler o que não é verdade, ou está intencionalmente distorcido/ amputado. Ou como “uma” doutrina no caso de “Mein Kampf “de Hitler, quando é a Luta, a vida, as ideias de um doido, de um frustrado, de um fanático que teve demasiados seguidores e que não deixaria de os ter hoje. Mas não é escondendo que tal não acontece.

O “Mein Kampf” está a ser reeditado no Estado da Baviera, que era quem tinha os direitos de autor, com comentários em fascículos, e talvez venha ser e bem estudado nas Escolas Alemãs. Muito útil, sem cortes, sem censuras mas com muitas explicações! Hitler, de má memória, assassinou, torturou, queimou, pilou, desuniu milhões de Pessoas, iguais a ele, iguais a nós. Hitler foi o exemplo negativo, de como se pode chegar ao Poder ficar obcecado, ter seguidores e ser um terror. Repete-se? Claro que sim! Deveria acontecer? Claro que não! Quanto mais educação a todos os níveis, alcançando todos, instrução e não só houver, quanto mais Livros forem lidos, e até o “Mein Kampf” mas claro não só, quanto mais Cultura houver, quanto mais nos for possível saber pensar, bem formados e nunca formatados, como parece estar em demasiados locais a ocorrer, melhor.

Adolf Hitler, como no foi possível saber lendo o Livro “A Biblioteca Privada de Hitler” de Timothy W. Ryback, teria uma biblioteca  composta por 16.00o Livros, alguns até de qualidade, e Hitler nunca leu um único de princípio a fim. Algo que muitas, excessivas Pessoas hoje também não têm tempo de o fazer, mas Hitler lia a primeira e a última página de cada Livro e uma do meio, e naqueles seus longos discursos com muitos e muitos admiradores, citava essas partes parecendo culto e que até era um grande leitor. E Orientador, Salvador das Nações!

O Poder descomedido e sem controlo, a Loucura, a auto-proclamação, tudo misturado e com seguidores, é um perigo, e pode repetir-se se já não estiver a acontecer. Quantos mais Livros aprendermos, quanto mais nos quisermos educar, e formos pelos pais e mães disciplinados – para ter algumas bases-com uns “nãos” e limites, à mistura, mais hipóteses teremos de ser sabedores, de viver com mais Paz do que com tanta Guerra. Assim está aí livremente o  “Mein Kampf”, para ser bem lido, nunca por nunca como doutrina, mas como algo que foi escrito por um louco que dominou a Alemanha, a Áustria onde nascera e grande parte da Europa, pela força, pela morte, pelo desvario. E sejamos todos mais formados e menos formatados, mesmo na era das Redes Sociais, para sabermos por nós decidir e viver, ou não!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 4/01/2016