O vazio de tudo causa terrores (e é abarrotado por muito mal)

 

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Estamos a viver um tempo demasiado vazio de Ideias, e nem falar de “ideais”, que estes afundaram-se há mais de 20 anos, não só no nosso País como em todo o Mundo Ocidental. Com a vontade de ainda mais vazios criar, foram-se descurando as regras – algo que muitos, por mente distorcida, apegam a ditadura –, bases mínimas de convivência entre Humanos. E tantos deixámos de pensar por nós, não o conseguimos fazer, não sendo fácil de facto, e cedemos a que nos façam o pensamento, é mais fácil. E, se não houver algumas “regras”  – a serem cumpridas – alguns “limites”, não nos é possível viver em comunidade, dado que cada um faz o que quer.

Neste tempo desocupado de ideias, de ideais, de normas, o ser Humano desorienta-se e se estiver nas idades mais jovens, ou seja na adolescência, que hoje se sabe quando começa mas já não quando termina, dado que temos jovens – elas e eles – adolescentes aos 40 anos, nas redes sociais têm chamarizes, que são a atracção para quem está “vazio”. Estamos a ver demasiados jovens de todos os países desta Europa desunida a “converterem-se a um “Islão Extremista”, e a fazerem as maiores barbaridades, que a todos que “antes” os conheciam, espantam. E vemos os atentados em Paris, em Londres, no Mali, e em todo o lado com jovens convertidos, por não terem ideal, nem ideias de vida. Esse vazio passa a ser ocupado pela barbárie. E esse vazio dá lugar ao que os próprios acham ser “qualquer coisa”, nem que seja matar, tortura, fazer o pior a seus iguais”. Alucinam, fazem, mas ocupam um vazio, que foi preenchido da pior forma.

Correcto? Claro que não! Mas temos culpados por todo o lado, a começar por nós, que ajudamos a desmembrar ideias. Pelos Pais que se distraem na atenção que dão aos filhos, e aos 15 anos eles passam pelas redes socias a “adorar” qualquer coisa dado estarem no vazio. Dado os pais, os professores, os Estados não o saberem ser, e sem ter que ser pela força ocupar os espaços que lhes são devidos, e os jovens adolescentes procuram e encontram por eles. E corre mal. Mas vai piorar se nada em contrário for feito. E as crianças passando os 12 anos deixam de ser os inocentes seres, para começarem a querer assimilar, ideias, ideários, e não os encontrando, antes, apanhando só o “vazio”, procuram, e descortinam. Mal mas descobrem.

Podemos destruir o Daesh, a Líbia, a Síria, e não vamos acabar com este crescendo de mal-fazer, erradamente, em nome de uma Religião. No caso do Islão, mas podia ser do Cristianismo, ou do Judaísmo. Está a preencher vazios. Sendo que, vivemos numa tempo que nas mais pequenas infrações estipuladas democraticamente, não há quem tenha vontade de as fazer cumprir. Não há problema que se conduza mal, não há problema que se embebedem aos 14 anos, não há problema de insultar alguém, não há regras, não há valores, é um vazio. Este vazio é intolerável com o Ser Humano. E procura-se preenchê-lo e conseguem. E fica tudo muito admirado como alguém que até aos 17 anos se portou tão bem e aos 19 anos foi para o Daesh e depois veio ao Pais de passaporte, e matou o vizinho. A Europa continua a assobiar para o lado, os EUA ainda se acham longe, a Rússia começou a acordar, a Turquia tem a casa em fogo não vai pensar no resto. E se nada fizermos vamos destruir o Ocidente para preencher o vazio que criamos. Enchendo-o mal e porcamente.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 21/11/2015