27/1 e a Memória das Vítimas do Holocausto

 

Temos um pouco a “moda” de criar dias especiais para tudo e para nada, e já “não cabe” no calendário tantos os dias a celebrar. Sendo que, certas datas, face aos acontecimentos que por trás das mesmas estão, devem ter que ser lembradas, e não só num dia estipulado por ano mas em todo o resto do ano, dado que fazem parte integrante das nossas Memórias colectivas, da nossa História. História e Memória, que para além de nos ensinarem tudo, o que por tantos — de bom e mau — foi feito ao longo dos séculos, das décadas, dos anos, nos trouxe ao que hoje somos. Temos um passado individual e colectivo, que não pode ser esquecido e que tem multo, mas mais que uma semana — algo que parece estar em “uso” assim assumir-se — , que nos ajuda a viver o hoje. O único tempo que de facto podemos viver — e a preparar o futuro. Não somos como Pessoas, ilhas, fazemos parte de um Colectivo, e temos todos, um passado. É inegável, apesar de muitos quererem fazer crer o contrário, dá-lhes jeito. E muitas Memórias têm algo de tão “duro”, tão inimaginável que pudesse ter sido feito por Pessoas, que ao ser lembrado e relembrado, pode — com imensas dúvidas — fazer com que tais atrocidades não se repetiam. Nunca. Mas, passados “ainda” poucos anos sobre determinados acontecimentos, se muito negativos, quase que conseguimos nos prometer que nada de semelhante voltaríamos a fazer, e é um “engano”. Engano, uma vez que o “esquecimento”, a “mediatização e imediatização de tudo e de nada”, a profunda “maldade humana”, fazem com que se possa  tudo repetir e por vezes com mais requintes de malvadez do que antes.

O dia 27 de Janeiro, pela Resolução 60/7 da Assembleia-Geral das Nações Unidas, é instituído como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O documento, escrito há 12 anos que parecem décadas, pretende ser “um aviso para todos sobre os perigos do ódio, do fanatismo, do racismo e do preconceito”. Condena “sem reservas” as manifestações de intolerância religiosa, o assédio e a violência contra pessoas com base no credo ou origem étnica. Rejeita o negacionismo. Insta, a uma mobilização que ajude a prevenir futuros actos de genocídio. Bem, faz 72 anos foram pelo Nazismo, via Holocausto, queimados/ torturado/mortos, 6 milhões de pessoas, maioritariamente Judeus, por um doido austríaco, achar que estava a criar a ração pura, a ariana, e que ia mandar na Europa — quando esta era o centro do progresso e da civilização, hoje nada disso nos apadrinha — primeiro, e depois no Mundo. Cometeram-se atrocidades, ideias desse louco, de Adolph Hitler, um austríaco que chefiou a Alemanha entre 1993 e 1945 e praticou uma horrenda carnificina (termo indevidamente usado por Donald Trump na tomada de possa referindo-se ao passado recente dos EUA). Mais nada ficou além de mortos, feridos, famílias destruídas, desolação e vontade de tudo reconstruir e nada “disto” repetir.

Mas nada aprendemos e tudo estamos pelo mal a refazer “manifestações de intolerância religiosa, assédio e violência contra pessoas com base no credo ou origem étnica”, e contra o pensamento que seja diferente de quem chegou ao mando, com única vontade de ter “poder” e com ele dar azo ao seu “eu”  mesmo que para tal despedace muitos e mutos seus semelhantes. A Memória do Holocausto seria para não se fazer mais do mesmo, mas, estamos “numa” de tal nos poder acontecer. E talvez fosse de muitos, muitos mesmo, se não forem ao local, sem filtros verem imagens de Campos de Concentração como Auschwitz, Dachau, lerem e verem fotografias o que lá foi feito, entre 1939 e 1945 e tentarem alcançar que “isso” não poderá repetir-se. E até ler, a reedição com anotações e sem fotografias do Hitler e da sua — dele — suástica, feita por Munique, em boa hora da obra — com “o” muitíssimo pequeno — de Adolph Hitler, Mein Kampf (A Minha Luta), e relembrar que acabou há 72 anos. Se não pensarmos por nós, se não nos informarmos, não nos educarmos, não nos cultivarmos, não formos menos manobrados, ou manobráveis, por incultura geral, pode voltar a acontecer. E vai ser muito mau, uma vez mais.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 27/01/2017