A Áustria e os maus exemplos que não vêm do Sul da Europa

O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ)  da extrema-direita caiu  em desgraça após a divulgação de um vídeo em que o seu líder e vice-chanceler, Heinz-Christian Strache, foi apanhado a debater formas de contornar a lei de financiamento dos partidos. Isto, em troca de possíveis contratos públicos inflacionados com uma milionária russa e também de formas para controlar e influenciar os media na Áustria. A divulgação das imagens de uma conversa com muito álcool à mistura numa casa de férias em Ibiza provocou vergonha e protestos espontâneos em Viena, bem como a demissão o vice-chanceler austríaco do FPÖ, Heinz-Christian Strache, que se desculpou dizendo “Foram cenas de copos”. Ora, aqui algo não bate certo dado que  o ex-presidente do Eurogrupo, o holandês Jeron Dijsselbloem, acusou a Europa do Sul de gastar o seu dinheiro “em copos e mulheres” e “depois pedirem que os ajudem”. Agora  foi um austríaco que estava nos copos (quanto a mulheres, nada é revelado). Mas, então, são os do Sul que passam a vida a desbaratar dinheiro e a fazer asneiras?  E os dos Norte da Europa nunca? Ou será  que quando se deslocam para Sul fazem o mesmo? (A lamentável cena aconteceu em Ibiza).

Note-se que o mais grave não é se  Heinz-Christian Strache estava ou não em diversões, ainda que questionáveis, o grave é na Áustria estar a crescer mais uma vez como nos anos 1930, a extrema-direita. Importa lembrar: o nazismo  alemão teve o seu chefe maior (Adolf Hitler) nascido na Áustria.  Na Alemanha, o partido nacional-socialista disputou eleições antes de chegar ao poder e perverter a democracia.  No final dos anos 1930 a sua opressão política provocou uma vage de refugiados que foram acolhidos na America e noutros países europeus, até no Portugal neutro de Salazar durante a II Guerra Mundial. Hoje a Áustria parece não querer lembrar-se muito disso. Valha à Áustria a moderação do seu actual Presidente, Alexander van der Bellen, que chefiou os Verdes e foi eleito  nas presidenciais de 2016 com 53,6% dos votos. Pode ser também que os austríacos tenham apreendido alguma coisa com este episódio e e ficado bem cientes  da vontade da extrema-direita querer “vender o país à Rússia”. Pode ser também que não se concretizem as sondagens que antes davam 23% das intenções de voto nas  eleições europeias ao  FPÖ da extrema-direita. Pode ser…

© Augusto Küttner de Magalhães, 22/05/2019