A banalização mediática dos ataques na Europa

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

A imperiosa necessidade com que os nossos meios de comunicação social, com primazia para as televisões, segurem as “redes sociais” para terem audiência, cria demasiadas confusões de análise, erros e problemas graves num futuro próximo. Cada “ataque”, e já são alguns, que acontece na Europa, hoje — dado que se for em Cabul, ou noutro qualquer outro local “não conta” —, faz a mediatização, os cometários, os comentadores estarem ao segundo a dizer tudo o que acham saber, mas não sabem. Agora mais um ataque, desta em Munique. Veja-se, sinta-se a banalização, mais um! E tudo em directo, tudo a cores — sangue! — é Daesh, não é Daesh, é um doido, não é um doido, é um excluído, não é um excluído. Bem, afinal deve ser o Daesh. E este feliz e contente por nada fazer, mas terem dito que fez.

Mediatiza-se e mostra-se sangue, e muitos BMW’s todos lavadinhos de Munique, por acaso, ou não, a terra onde se fabricam os BMW. Muitos, e VW’s também. E muito movimento. E entrevistas a quem estava, não estava, esteve, vai estar. Tudo em directo, tudo igual, mais do mesmo e dos mesmos. Sempre! E bem aqui a Frau Merkel — no fundo e neste marasmo em que vivemos tem-se sabido resguardar —  não como o Sr. Hollande e o seu péssimo PM, Manuel Valls, em Nice, não Frau Merkel nada a diz a quente, aguarda. E bem, e muto bem! E tudo mediatizado: a rua, o shopping, a português que estava mas não estava, o pai que ia buscar o filho, o senhor que levou o cão a fazer chichi. E isto passa a ser um circo, sem desprimor para os circos verdadeiros, aqui bem pelo contrário.

E, de repente, o jornalismo deixou-se ir, uma vez mais a reboque do que está a dar, para não perder espaço. Banaliza tudo e destrata o sofrimento das Pessoas, dos Humanos. Mas mostra, mostra, mostra. Entrevista, dá palpites, mediatiza o que nunca deveria ser tão mediatizado. Não informa, faz qualquer coisa, por já não saber o que deve fazer. E estes “ataques” vão continuar a “ter” que acontece. Vamos continuar a “ter” que assistir em directo e a cores. E um destes ataques que amanhã ou depois acontecerá será tão, mas tão banal que já bem se entenderá se é ficção ou realidade, mas isso é o que menos interessa, nada, zero. Esquecemos que estamos a tratar de pessoas com pessoas. E de mortes e de crimes. Mas não, não interessa, interessa é mostrar, comentar, aterrorizar. Vai, isto, acabar mal. Vai, mas depois todos fogem à responsabilidade e não assumem os “seus, nossos” erros, hoje ninguém assume erros, se calhar ninguém os comete, só os outros os praticam! Será que todos fazem tudo certo, até os que praticam estes hediondos ataques? Responda quem souber, e hoje todos sabem a tudo responder! Se calhar! Ou nem por isso!?

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 24/07/2016