A Europa precisa de se proteger sem o “guarda-chuva” americano

 

Hoje, em alguns países, um presidente pode ser eleito se disser uns quantos disparates que agradem a certos eleitores, se for agressivo,  tempestuoso e amesquinhar todos os que não estão com ele. Conhecemos vários exemplos recentes, o maior, claro, é o de Donald Trump que tem ganho seguidores  “entre muros” e também pelo mundo fora! Este, depois de ter “entendido” onde ficava a França — por já lá ter estado anteriormente —, procurou uma aproximação ao Presidente Emmanuel Macron,  aparentemente para ver se o conseguia convencer a sair também da União Europeia (imitando o Reino Unido). Como não teve sucesso  passou a atacar Emmanuel Macron. Mas face à actual vontade de Donald Trump em abandonar todos os acordos e alianças com outros países, a Europa sente que tem de se auto-proteger sem o “guarda-chuva” americano. Daí, finalmente, alguns representantes de países europeus deixarem de ter medo de dizer que a Europa necessita de um exército próprio,  como fizeram Emmanuel Macron e Angela Merkel.

A reacção do Donald Trump foi a de que isso era um insulto e “então paguem o que devem à NATO, que os EUA subsidiam em grande parte”. E seguiu-se mais um chorrilho de comentários descorteses, a que nos vai habituando,  com o objectivo de amesquinhar os outros.  E assim disparou num tweet que ”Paris já estava a aprender alemão na I II Guerra Mundial”, antes de os EUA  terem salvo os franceses que agora querem um exercito europeu, contra a Rússia a China e os EUA. E depois termina com uma variante do seu slogan preferido: “Make France great again”. Por certo que há uma atenção mediática e focagem que alguns consideram exagerada em Donald Trump. Mas convenhamos que este e os outros como ele, que hoje abundam no mundo, são perigosos para as democracias de muitos países entre os quais vários europeus. Assim, se os europeus não se unirem e ganharam força política e militar militar, Trump vence a sua “guerra”, e rapidamente, uma vez que se trata do presidente da maior potência mundial. Quanto à Europa ficará sob o “efeito Trump”, em frangalhos.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 14/11/2018