A Grécia tem que cumprir mas nunca agrilhoada

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Todas a cenas e cenários, que temos visto e assistido – em directo e a cores – sobre a Desunião Europeia e a Grécia, no mínimo lembram um filme de terror. Pior, seria impossível em algo que se “apelida” de União. A Europa não tem que mande, que não a Alemanha, por ser a mais rica, a maior, e por já ter mandado no tempo de Hitler, há setenta anos. Tudo o que se pudesse imaginar poder ser política e democracia, nesta Europa deste século XXI, é um circo com muitos palhaços, com todo o respeito, mais que merecido e devido, pelos verdadeiros palhaços no Circo, em local conveniente. A Grécia entrou no Euro não cumprindo as regras, mas todos sabiam, até os alemães, e acharam bem. Na ocasião interessava fazer entrar todos em fila, para parecer uma Europa, Grande, Unida, Pacificada, Rica, Solidária, e em simultâneo, acabando com quaisquer possíveis veleidades de reaparecer uma União Soviética. A Europa e a União foram feitas aos empurrões, sempre, se não à pancadaria. E de repente, em meados do século passado um apto Grupo de Pessoas pensou a Europa de outra forma, começou bem, e vai acabar mal, hoje não há gente capaz.

Quando o dinheiro começou a falhar e uns pouco a quererem tudo apanhar, as várias cabeças pensantes entraram em pânico, e começaram a fazer contas ao cêntimo, quando até aí era tudo facilidades. E, a verdadeira União Europeia, que nunca chegou a ser uma realidade, dado que os Políticos capazes foram desaparecendo até meados dos anos oitenta, do século passado, entrou em Desunião, clara e aberta. E com todo o empenho, o Norte começou a chamar nomes ao Sul. O Norte mentiu acerca do Sul. O Norte ajudou a destruir o Sul. E como não há lideres nestes últimos vinte e cinco anos, tudo passou a ser decidido por hostes de supostos políticos, que mais não passam de profissionais da política, que querem estar sempre a aparecer, a ser filmados e fotografados, e se não “estivessem políticos,” eram desempregados. E criaram-se lugares para estes senhores e senhoras, que não os sabiam, sequer ocupar. E as ameaças do Norte ao Sul aumentaram. E claro que no Sul se desperdiçou muitíssimo dinheiro em Obras de fachada, mas, todos – os políticos desde há vinte anos – de Norte a Sul, eram e são, de terceira. Mas pelo meio a Alemanha fartou-se de ganhar dinheiro com os palermas dos países do Sul, que lhes compraram submarinos, ninguém sabe para quê, e automóveis de grandes marcas e grandes valores para pavonear por cá, algo que hoje se repete, e repete! E mais um bando de técnicos é criado, achando que estavam a trabalhar na casa mãe de uma multinacional e a fiscalizar as filiais do sul, que se portavam mal, leia-se Países em resgate. E a única coisa que souberam fazer, foi contas de merceeiro – com todo o respeito por estes, que ao menos sabem do seu ofício – e fizeram tudo ficar pior, no que mal, já estava.

Agora, no limite da sobrevivência a Grécia, como já não tem por onde ir, quer ficar no Euro. E aqui a Alemanha, o seu ministro Schäuble, e mais uns apaniguados fazem os Gregos pior ficar, amesquinham-nos, dado que antes não souberam de facto impor reformas justas e necessárias, com o dinheiro que para lá foi. Não, era cortar, cortar, sem reformar,e tudo foi sendo aceite. E nenhum acha ter erros. E como no Norte países passaram o tempo a chamar-nos a Sul, malandros, agora está encucado na cabeça dos de lá, que o somos. E alguns de facto são, somos, sem dúvida. Mas sem fazer as verdadeiras Reformas, a Europa afunda e a Alemanha Virtuosa não se aguenta, e o tempo de Hitler de 1933 a 1945, foi pela lei da bala, hoje a III Guerra Mundial, segundo dizia  Einstein nada terá a contar, a não ser a quarta que será com paus. E no meio disto tudo parece que o nosso PM salvou qualquer coisa na Grécia, mas, prepare-se para o fazer cá, dado ser tão apto, e nos não termos notado, quando não fez a Reforma do Estado. E o PR parece que já não ira subtrair um a dezanove, da próxima serão dois a dezanove, e sucessivamente até zero….. Triste Europa, tristes políticas. Pior era difícil.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 16/07/2015