A memória curta da Áustria

 

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, está a assumir a reintrodução de controlos na fronteira com a Itália, se a Alemanha reenviar migrantes através da sua fronteira no Brenner, uma das principais passagens fronteiriças austro-italianas. E o actual jovem chanceler austríaco da direita conservadora, em coligação com a extrema-direita, num país que desde que estamos com a questão do migrantes, aqui na “nossa “ Europa, não tem mostrado pouc simpatia por acolher migrantes /refugiados.

O tema das migrações vai ser debatido esta semana no Conselho Europeu, questão que divide, como todos sabemos, os Estados-membros. E assim, Bélgica, Holanda, Croácia, Eslovénia, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Luxemburgo, Grécia, Itália, Espanha, França, Alemanha, Malta, Bulgária — que ocupa a presidência semestral da UE até final do mês — e Áustria — que assume a presidência do Conselho da UE entre Julho e Dezembro — foram os Esatdos presentes na reunião de 24 de Junho a antecipar o Conselho Europeu desta semana.

Não por acaso, a Áustria foi há dias foi o único país do Ocidente europeu, a receber calorosamente Vladimir Putin, para ver se fica de bem com “deus e o diabo”, ou seja com a Rússia e a Europa Ocidental de que faz, ainda, parte. Mas como o chanceler é muto jovem, esqueceu-se, ou nunca soube, que quando Hitler — austríaco no “poder” alemão de 1933 a 1945 — em 1938 invadiu a Áustria, imensos austríacos tiveram que fugir foram abrigados e acolhidos em outros países europeus. Isto num tempo em que nem se sonhava numa possibilidade de uma União Europeia, num tempo em que a Europa estava a preparar-se para um guerra, entre si.

Nessa época, muitos e mutos austríacos foram recebidos em vários países europeus, inclusivamente em Portugal. Hoje, um dirigente de um país que se teve que apoiar em fronteiras “não fechadas” — quando o controlo fronteiriço era muitíssimo apertado —, para salvar a vida a compatriotas seus, igonora esse passado. Pretende fechá-las quer aos refugiados, quer aos que por esta queiram passar, quer aos que lá possam pretender ficar. Sinal dos tempos em que parece que nada aprendemos com o passado, com a tragédia guerra, e em que quase tudo de negativo parece ser necessário repetir para a memória avivar.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 25/06/2018