A Ortodoxia Russa e não só

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Seria curioso ser feita uma análise, se possível “sem emoção e predominantemente com a razão”, sobre o que parece ainda hoje ou até mais hoje, ser a Ortodoxia Russa, e dos países que não só próximos, como recebendo as “suas influências”, isto, com base nas reacções sobre os Refugiados bem como, quanto à guerra na Síria. A Hungria, hoje, continua com a mesma mentalidade que tinha quando existia a União Soviética, pensam de uma maneira por demasiado “veemente” em fechamento, em bloco, do lado de lá, do que foi a Cortina de Ferro, que ao ter caído, para muitos pareceu a hipótese de união de uma Europa, mas não foi como estamos a viver e até a amargar. E achando-se do lado “de cá “e trazendo-a para a Europa Ocidental seria um triunfo democrático, cá, e para eles uma entrada de euros frescos. Agora com a crise dos “dinheiros” com a desunificação da Europa Ocidental onde todos mandam e ninguém obedece, o efeito nefasto de termos “cá”, à Hungria, é um facto.

Ergue esta Hungria, muros com arames farpados – respícios Soviéticos – em torno das suas fronteiras, desrespeitando os mais elementares direitos da Desunião Europeia, e escorraça os Refugiados, nem se dando ai cuidado de os destrinçar de Migrantes. E esta Europa faz de conta que não vê, que não ouve, que não sabe, e deixa que este comportamento no mínimo Ortodoxo, se intensifique. A Federação Russa, mais o Sr. Putin, quer prestígio, quer ficar para a História, quer um monumento no centro de S. Petersburgo, e uma vez que a sua Federação está falida, e ter sempre apoiado Assad da Síria – para depois recolher frutos – , fornecendo-lhe armamento agora “entrou na Guerra”, não contra o Inimigo Comum, o ISIS, mas em favor de Assad da Síria. Bem diferente convenhamos! E, toda esta Ortodoxia é coerente com um fechamento que vem de trás sobre si mesmos do Império Russo, da União Soviética, de mentalidades. E, se mais exemplos necessários fossem, poderíamos pensar que nos inícios dos anos 1000 da nossa “era”, quando há a primeira cisão na Igreja Católica de Roma, a Igreja Ortodoxa, cria-se e fecha-se sobre si, e do “lado de lá”, tal como hoje ainda é, e está.

Por muito que a demasiados custe assumi-lo, as Religiões e os Espaços Políticos sempre se tentaram justapor, é a História. E o efeito da Igreja Ortodoxa num centramento no espaço Russo, Imperial ou Soviético foi uma realidade que não se esbateu até aos nossos dias,nem vai deixar de o ser. Por outro lado e contextualizando no tempo, o não alargamento mais tarde com as seguintes cisões na Igreja Católica de Roma, no caso as Igrejas Cristãs Protestantes de Lutero e Calvino, ao Sul da Europa ficando-se pelo Norte, deixaram também a sua ascendência. E sem sombra de dúvida que se nota que o Norte ficou mais aberto, mais desenvolvido que o Sul e “tal” pode-se atribuir a razões que a cada mais jeito derem, mas as influências Religiosas foram e serão sempre muito importantes. sejam quais possam ser. Roma não quis abrir, nesse tempo, e hoje o Papa Francisco tenta fazê-lo e está sujeito “de dentro da sua própria Igreja”, a insultos que nem às hierarquias das Igrejas Ortodoxas e Protestantes hoje são feitos. Estando aquela tal como há 1000 anos e as outras nada bem.

Quanto à Ortodoxia Russa, e no caso presente do Sr. Putin vai continuar a fazer das suas que em nada beneficiarão o Ocidente, unicamente o seu ego. Quanto à Hungria e não só, que nunca deveria, ser parte do espaço desunido europeu ocidental se não cumprisse as regras como está a fazer, é evidente e gravíssimo, o que se seguirá, se permitirem ditadores cá dentro a pouca esperança que se pode ainda ter na Desunião Europeia que desvanecer-se-á cada vez mais rapidamente. Sem aqui , agora e ainda, falarmos na lenta mas certa substituição que está a acontecer do Cristianismo pelo Islão aqui a Ocidente.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 09/10/2015