A perpetuação de Putin no poder

 

Vladimir Putin, 65 anos, vai assumir nestas eleições de 18/03/2018 o quarto mandato presidencial depois a sua primeira eleição em 2000, além de ter sido primeiro-ministro entre 2008 e 2012. O ex-agente do KGB,  sonha em fazer uma mescla de Rússia dos czares com a União Soviética de Estaline, tendo-o a ele como “timoneiro”, a bem do seu próprio prestígio, e  tentando ficar na História como alguém que lutou contra os imperialismos e o Ocidente. O grande “afastado” destas eleições presidenciais, o adversário “número um”, Alexei Navalny, o único com envergadura mobilizadora de dezenas de milhares de pessoas, mas encenadamente acusado pelas autoridades de “repetida violação” da lei sobre a organização de manifestações, foi proibido de concorrer face a uma antiga condenação judicial que se supõe “criada” pelo Kremlin. Quanto aos outros sete concorrentes, dois poderão andar entre os 5% e os 8% dos votos, e os restantes cinco terão resultados totalmente insignificantes. Assim, os eleitores russos vão (re) eleger o Presidente Putin pela quarta vez.

Estas eleições ocorrem num momento propício ao actual Presidente para se ir eternizando como tal, a exemplo do seu “camarada” Recep Tayyip Erdogan da Turquia, de Nicolás Maduro da Venezuela e outros, dado que criam uma onda de nacionalismo em torno de si mesmos face às injúrias e mentiras que de “fora” lhes são lançadas! A plena participação no conflito sírio, a acusação de ingerência nas presidenciais norte-americanas, a crise ucraniana — com a anexação da península da Crimeia —, são situações que têm criado um crescente clima de tensão, e que implicaram no último caso a adopção de sanções internacionais por parte da União Europeia e EUA. Isto sem esquecer que a Rússia está a ser alvo de sanções britânicas, face ao envenenamento em Inglaterra do ex-agente duplo russo Serguei Skripal, caso que confirmará o retorno a uma nova Guerra-Fria. Claro que Putin continuará czar Federação Russa, mais que não seja devido ao nacionalismo e/ou seguidismo de 69% da sua população. Ver-se-á o que se seguirá!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 18/03/2018