A Suécia e os radicalismos nacionalistas que alastram na Europa

 

Muito pouco, ou mesmo nada, tem sido feito a nível da União Europeia e de cada país para, supostamente, para manter a Europa não só numa trajectória de unificação como também de afastamento de “valores extremistas”. Os extremismos de direita parecem estar em força um por todo o lado, com o nacionalismo, o fechamentos de fronteiras, a recusa a entradas de diferentes de nós. etc. Nem a saída do Reino Unido em Março de 2019, que o vai deixar isolado no meio do Atlântico, por já não ter um império e pouca influência ter no mundo no seculo XXI, atenua esta tendência europeia.

A este propósito convém não esquecer o passado da primeira metade do século XX. Adolph Hitler, expulso da sua terra de nascimento, a Áustria, conseguiu democraticamente chegar ao poder na Alemanha com pouco mais de 30% dos votos. A partir daí, já no poder, teve imensos seguidores em defesa da raça ariana contra os “diferentes” (essencialmente os judeus). Hoje o alvo não serão os judeus, mas em toda a Europa — e nós não somos excepções apesar dos discursos oficiais dizerem o contrário do homem da rua —, são os vindos do outro lado do Mediterrâneo. São o que nada têm essencialmente em África — anteriormente colonizados por países europeus —, e podem vir “roubar” os empregos dos que cá, em toda a Europa, têm menos habilitações.

Abertamente a Itália assume já uma posição de hostilidade às migrações não europeias, similar à da Hungria, da Polónia e sa Áustria. Agora temos a Suécia, onde um partido da direita nacionalista poderá ficar em segundo lugar nas eleições legislativas. O seu crescimento eleitoral está ligado ao facto de a Suécia ter sido o país europeu que mais migrantes recebeu em percentagem da população. É o exemplo de uma social-democracia que poderá iniciar o caminho para o radicalismo. Não é a única. Quanto à União Europeia, bloqueou. O Parlamento Europeu, que terá eleições no próximo ano, pouco faz (ou pode fazer) para conter a vaga nacionalista / soberanista. Se assim continuar, poderá correr tudo muito mal. Nos EUA, com Trump no poder, na Igreja Católica com a pressão para o afastamento do Papa Francisco, etc. Tudo isto é bom para a China e a Rússia dominarem a Europa, mas nada estamos a fazer para assim não acontecer.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 9/09/2018