As crises europeias e o regresso de Angela Merkel

É curioso ver-se o percurso de Angela Merkel à frente do Governo alemão na última década e meia. Teve uma forte subida no início do seu primeiro mandato e nos subsequentes — está agora na parte final do quarto mandato — sendo apreciada na Alemanha e nos países Norte  da Europa — e  bastante detestada a Sul e a Leste. Neste último caso, sobretudo pelas medidas que foi tomando, essencialmente na área financeira, durante a crise da Zona Euro, de 2011 a 2015. Na crise dos refugiados  da Síria de 2015 teve uma atitude que nenhum outro Estado europeu teve, ou chegou a ter, acolhendo na Alemanha mais de um milhão de pessoas, talvez ter lembrado da história traumática da Alemanha no século XX. Mas a questão dos refugiado, foi também o princípio do fim da popularidade de Angela Merkel, que acabou por ficar bastante desnatada politicamente, a nível inter e externo. 

Angela Merkel tinha começado a prepara-se para deixar a chefia da CDU e o Governo alemão, tendo  já uma sucessora designada  na chefia do partido, mas que, entretanto, se afastou por polémicas políticas internas. Com o emergir da crise da  Covid-19  parece ter voltado a ganhar a confiança dos alemães: nesta altura atinge  72% quando há um mês era apenas 35%. Resta saber se é algo duradouro.  Ainda assim, talvez seja um bom prenúncio para a Alemanha e para a  unidade da  própria União Europeia, ver  que Angela Merkel poderá candidatar-se a um novo mandato à frente do Governo alemão e vencer. Num tempo de total perturbação  no mundo face às consequência da Covid-19, que não se sabe quando e como irão terminar, com os nacionalismos e a contestação a espreitar por todo o lado,  volta-se a pensar na Alemanha e em Angela Merkel com alguém à altura para lidar com as crises europeias.

© Augusto Küttner de Magalhães, 7/04/2020