A Áustria está com vários recalcamentos a saltar do armário

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Para além da deriva de extremas-direitas que varre a Europa neste querer desesperadamente abraçar “nacionalismos”, fechar fronteiras, erguer muros em torno de cada País, derrubar Schengen, a Áustria tem demasiados recalcamentos que estão a saltar do armário. Esta não vitória, por uma “unha negra”, do candidatado à Presidência da Áustria da extrema-direita, é disto mais um sinal. E não vai ficar por aqui. Para já, está na Presidência o líder do Partido os Verdes, por escassa margem. Mas a vontade de virar à direita das direitas, está na “massa” da população Austríaca. A sociedade austríaca está profundamente dividida. A Áustria no Anschluss, em 1938, foi anexada facilmente dado o apoio de grande parte da população ao Regime Nazi Alemão de Hitler. Tendo este nascido na Áustria, e por “recalcamento desta”, passou-se para a Alemanha, onde mandou, de feição de déspota, mas muito apoiado! O Nazismo, e, claro, a Alemanha, deixaram severas marcas à época em toda a Europa, e a Áustria e os judeus austríacos foram muito martirizados, e muitas das feridas e traumas que foram abertos nessa altura, estão marcados, não se apagaram, não se diluíram.

 
Estavam em “espera “ e saltaram, agora com os Refugiados da Guerra da Síria, primeiro com um excelente acolhimento e depois com o fechamento de fronteiras e as guinadas à extrema-direita, o que já havia acontecido recentemente com Haider! No período — aproximado — entre 1955 e 1989 a Áustria, com grande receio de ser invadida e anexada pela URSS, era supostamente um país neutral — termo, em tudo, estranho —, e funcionava na sombra da Alemanha. Era conhecida pela beleza de Viena, de Salzburgo, pela boa música, pela educação e rectidão, pelos automóveis que fabricava, e pouco mais. Hoje está no centro das “bocas” da Europa pelas tais guinadas à extrema-direita, e por poder ser o início explícito de mais países europeus que se lhe seguirão, para nem falarmos nas Hungria e na Polónia que já por lá andam. Mais haveria a recuar na História da Áustria – início da I Guerra Mundial, e antes   —, para apontar mais “recalcamentos”, mas estes atrás apontados, estão vivos e são suficientes. E por toda a Europa espreitam outros semelhantes, podendo não ser nada bonito de os vivermos, se as extremas-direitas e nacionalismos tomarem o pulso em mais Países. Mas é muito possível! E muito mau!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 25/05/2016