A Áustria no bom caminho, em Dezembro 2016!

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
Por vezes a Áustria assusta-nos, ainda para mais se nos lembrarmos que Adolph Hitler era austríaco, que a Áustria se sente um pouco diminuída desde que perdeu o Império Austro-Húngaro, e que durante a Guerra Fria teve sempre o medo, e com razão, de poder ser invadida pela URSS. Assim, de quando em vez tem umas derivas para a extrema-direita, o que a muitos nos estava a intimidar, nesta necessária repetição das Presidências de Maio último, uma vez poder ter havido um erro de contagem dos votos não residentes. E assim ficou confirmado que Alexander Van der Bellen, ecologista e que havia sido o vencedor da primeira vez, ganhou novamente agora e folgadamente com 53,3%, contra 46,7% do seu adversário, de extrema-direita. Quem isto escreve, sente-se neste caso um pouco — bastante —  à vontade por ser filho de mãe austríaca, e ter tido sempre uma ligação de sangue e não “até” de proximidade com a Áustria. País também algo estranho, nestes tempos, e que no dia 4 de Dezembro deste 2016, ano de menos boas noticias “globais”, nos agradou por não ter sido tentado a cair para a deriva de extrema-direita, de onde tudo pode acontecer.

Convirá, de quando em quando, termos presente que Hitler nascido na Áustria e tendo ido para a Alemanha onde “adquiriu” a nacionalidade, foi eleito democraticamente e depois foi o terror, o louco que foi. Logo, não seria um primeiro caso de deriva autoritária /tresloucada. E assim ficamos todos, bem mais sossegados. A Áustria democraticamente escolheu bem, uma vez que os extremistas são todos nacionalistas, e como tal protegem-se num tempo “global” — com todos os defeitos que este tem, não deixa de o ser, global — como “nações” e fecham-se sobre si mesmas. E teríamos em breve, se não fosse Alexander Van der Bellen, o Presidente Austríaco mais uma cena igual ao Brexit, talvez Ausxit, e mais uma pedra para um possível mas não desejado caixão fúnebre da União Europeia. Assim teremos todos que nos darmos por contentes por a Áustria não ter pretendido derivas autoritárias, por querer continuar no Espaço Europeu, e ser um exemplo positivo para muitos.

E hoje, até para quem faz as sondagens, e neste caso ainda bem — voltou a errar —, como já havia acontecido com o Brexit e com o Trump. Assim a Áustria e ainda bem não seguiu o Reino Unido na saída da União Europeia, nem os EUA estes na escolha de Donald Trump e da Trumpalhada que daí advirá. No caso da Itália, aqui as sondagens acertaram, e ganhou no Referendo à alteração da Constituição o “não”, o que não parece ser de bom futuro, até para a Europa. E ainda que o Dom Berlusconi, parece não poder voltar a concorrer, se bem que o seu — dele — partido pode, seria uma dupla aterradora. Berlusconi na Europa e Trump nos EUA, a ajudarem o Czar Putin na Rússia! Fica aqui mais um exemplo democrático e positivo da Áustria, como tem sido cá, no nosso País, em eleições livres, o do nosso PR, Marcelo Rebelo de Sousa, bem como na possibilidade de formação do nosso actual Governo, e ainda bem. E apesar dos seus 72 anos, podemos por certo contar na Europa com o Presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 5/12/2016

 

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