A Áustria, a Turquia e os refugiados

 

A Áustria, agora e bem, proibiu o ministro turco da Economia de entrar no País, segundo afirmação do ministro austríaco dos Negócios Estrangeiros, uma vez que aquele tencionava deslocar-se para participar num grande evento de celebração do primeiro aniversário do falhanço da tentativa de golpe de Estado contra Erdogan. Na Áustria vivem cerca de 360.000 turcos, ou turco-descendentes, dos quais 117.000 continuam com a cidadania turca. Na Áustria  claro que existem motivos históricos para assim agir — tem denunciado e bem, as perseguições que o Presidente turco, Erdogan, tem vindo a fazer indiscriminada e infundadamente aos seus opositores, desde o falhanço do suposto golpe de Estado do ano passado. E, não se sabe, mas até pode ter sido preparado — um golpe falhado contra si mesmo — pelo próprio, para ter caminho livre para alterar a Constituição e ficar “com totais e plenos “ poderes e se perpetuar no Poder. Golpe Falhado, que Erdogan aproveitou:“ordenou “ a detenção de mais de 50 mil pessoas, suspendeu cerca de 150 mil militares, professores funcionários públicos. Como é evidente um ministro de um outro qualquer Estado não pode ir fazer propaganda ou manifestações a favor do seu, se não for explícita e voluntariamente convidado para tal, e aqui a Áustria actua em conformidade, se bem que a União Europeia — se fosse Unida —, deveria fazer-se “activa” nestas situações.

Mas em simultâneo, e mal, a Áustria barra com militares seus, colocados junto à fronteira com a Itália — e tudo no espaço Schengen —, a entrada de refugiados / migrantes que fogem das guerras actuais, das mais variadas formas, em vários espaços circundantes à Europa. E, tendo, antes, faz décadas, conseguido que tantos dos seus refugiados aquando da invasão/anexação da Áustria, em 1938, por Hitler, fossem bem acolhidos em tantos outros países europeus. Assim, a Áustria, e não é de agora funciona com dois pesos e duas medidas, o que é grave e contraria a dinâmica de uma Europa que se desejaria unida, mas que por si, também se preocupa com pequenas coisitas, em vez de se fazer presente nas importantes. Como foi o exemplo muito deprimente, da não presença de eurodeputados no suficientes no Parlamento Europeu, no fim da Presidência de Malta, alegando terem outros trabalhos em curso. Estes actos, de Estados individualmente, mas também de eurodeputados, fazem com que o importante deixe de ser feito e mais se desarticule que já não está a dar bons resultados nesta União Europeia desunida.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 11/07/2017