(Auto)destruição garantida, mesmo sem terrorismo

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
Com “estes” factos que dia a dia nos são exaustivamente transmitidos de destruição de Estados por poderosos, que tudo fazem para não pagar impostos como o fazemos nós os “normais”, não necessitamos por certo de terroristas, de bombistas. Nada disso. Os Estados entre os quais o nosso vão-se, assim, auto-destruíndo, rapidamente. Os recrutadores do Daesh, que até por cá andaram faz dias, ao vivo, a cativar jovens para a sua – deles – causa, podem sossegar, nós saberemos dar “conta” disto tudo. Entre a corrupção caseira, que vai surgindo a luz do dia e sem nunca saber de condenados que não só sejam “exemplarmente” penalizados  – para desmotivar outros – bem como, devolvam o que não é seu, aos Panamás/ offshores, é um tal de “fartar de vilanagem”, que isto tudo, vai-se (auto)implodindo alegremente e os terroristas podem ficar de longe, só a ver.

O estado aqui com “e” minúsculo de espírito de todos “nós”, os ditos normais – que o estamos a deixar de ser, ou a ser assumidos como extra-terrestres –, que não temos contas em offshores, que nunca o tivemos, que pensamos que nos portamos bem, que somos “certinhos “ em pagamentos de todos os impostos e obrigações, vai-se degradando. Começa por não se acreditar nas instituições, nos reguladores, nos fiscais, nos controladores, e duvida-se do vizinho. E “isto” nota-se nos mais pequenos detalhes, desde a condução automóvel com um pleno de agressividade e desrespeito pelas mais elementares regras de condução e pelo próximo, ao nível de deseducação generalizada, por todo o lado. O medo está cada vez mais presente, não da bomba, mas do amanhã sem bomba. O medo faz com que a agressividade esteja à flor da pele, a insulto fácil, a falta de respeito.

O medo não da bomba, mas do colapso de tudo sem bomba é tal, que “se vive um dia de cada vez”, dado que amanhã podemos não ter, sequer como viver. E já não será por a estação do metro ir pelo ar, ou o aeroporto mais próximo, ou a sala de concertos onde vamos. O medo é de amanhã não haver dinheiro para nada, nada, nem comer, por mais bancos rebentarem, sem nada de facto a ninguém responsável acontecer, por mais desempregados aparecerem, por reformas e pensões acabarem. E, entretanto, uns tantos continuarem a não pagar impostos, a não cumprir alegremente com as suas obrigações, a não respeitarem as regras bases de vivência com direitos mas também com deveres, no seu, no nosso País. Assim, não precisamos de terroristas, bombistas, o Daesh que fique junto à Síria e depois aqui na Líbia, tem tempo, nós damos cabo de nós mesmos sem eles nos rebentarem. O País precisa, urgentemente, de todos com direitos, mas com deveres, de exemplos “exemplares” a virem de cima, de progresso, de transparência, de liquidez. Tudo o resto é fazer de conta!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 13/04/2016