Boris Johnson e o Brexit numa Europa fragilizada

Hoje olha-se para o Reino Unido e não se vislumbra nada do que foi o poder e a influência do Império Britânico no passado. Mas o problema de perda de poder e de influência não é só dos britânicos. No mundo actual, vários outros povos europeus estão com tremendas dificuldades em lidar com similar situação. Quanto aos britânicos, estão sem saber como se adaptar a uma Grã-Bretanha reduzida às Ilhas junto ao continente europeu, tendo este também também perdido o rumo por não saber repartir a sua anterior centralidade com outros parceiros mundiais. Assim, estamos a ver  a União Europeia a não conseguir unir o nosso espaço europeu, que deveria ser mais forte e coeso — o que não significa, de modo algum, ser uniformizado —, e também a perder a representatividade global.

Pode custar a aceitar aos britânicos, mas o Reino Unido já não tem o seu anterior lugar no mundo. O país hoje não sabe  assumir a sua nova posição, logo todas estas fugas em frente com o “Brexit”. Ao mesmo tempo, os EUA — Estado com o qual os britânicos têm um relação especial —, têm hoje um presidente sem  capacidade para o ser, mas que está  à frente da (ainda) maior potência mundial. Pode assim fazer o não se esperaria que alguém no seu lugar fizesse, desde logo na relação com a União Europeia. Claro que a falta de unidade europeia também aumenta o problema.  As divisões internas são constantes como se viu na confusão que foi nomear a nova Presidente da Comissão, que não saberá (ou conseguirá) lidar com o novo Primeiro-Ministro britânico Boris Johnson, empenhado em concretizar o “Brexit”, seja a que preço for.

O Reino Unido deveria ter optado por ficar na União Europeia, o que seria bom para os próprios britânicos. Mas agora com Boris Johnson a imitar estilo político de Donald Trump, vamos provavelmente ter uma União Europeia com medos de todos os lados. Poderá deixar arrastar indefinidamente o” Brexit”, até não se perceber se vai o Reino Unido sair, se vai a União desfazer-se aos bocados, mais uma vez como no passado. A memória de há 70 anos atrás da II Guerra Mundial já se esfumou e a ONU, a NATO  e outras organizações acusam o desgaste da missão para  que foram criadas. Quase tudo hoje é possível acontecer (embora talvez não uma outra guerra mundial), nomeadamente a dissolução do que foi feito para unir pessoas e países a bem da paz e da liberdade, palavras  que hoje não parecem ter grande significado.

© Augusto Küttner de Magalhães, 29/07/2019