O “Brexit” aconteceu, a Europa acabou

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Contra as mais recentes expectativas, o “Brexit” aconteceu. Por “medo” nosso de “acabar por décadas e décadas“, com o que ainda resta (restava) da (Des)União Europeia, fomos “falando alto” para convencer o Reino Unido a não sair da Europa. E, até, dando-lhe prerrogativas especiais, por serem diferentes, como sempre foram, até conduzem ao contrário do resto da Europa, e não resultou, saiu. E o primeiro responsável directo será o ainda PM, Cameron David, mas claro que a Europa, a Alemanha, a França e não só são os grandes culpados. Isto, principalmente num tempo em que os políticos não têm qualquer carisma e vão para a política — unicamente — para terem emprego e para estarem sempre a aparecer nos media, tudo ajudou a que o primeiro País deixasse, de facto, a Europa. Claro que para o Reino Unido não será bom, mas para o resta da Europa supostamente Unida, melhor não será.

A partir do momento que um País sai, e por um Refendo, que é a forma mais “aberta” de uma população se pronunciar directamente por ter deixado de acreditar na Democracia, por ter deixado de acreditar nas pessoas que elegeu supostamente para bem os governar e representar, o Referendo da saída do Reino Unido da Europa, é uma forte machadada num processo Europeu que estava encravado. O que se seguirá? Le Pen a querer fazer o mesmo numa França onde “um” PR pior, seria difícil. Na Catalunha com os seus eternos gritos de independência. A Holanda, e por aí adiante, tudo a querer ficar supostamente “soberano”. A Economia nunca deveria ser tudo o que nos governa e orienta, mas está a sê-lo. A Política deveria ser feita por Políticos a sério, e não está a acontecer, por estes “não haver”. E todos, seja nas governações, seja nas oposições, que nestes últimos 20/25 anos de intensa desconstrução de um projecto Europeu — que nasceu genuinamente no fim da II Guerra Mundial e está a cair peçamos a peça —, País a País, têm “culpa”, todos. Estavam — estão, ainda — na Política para serem Políticos e não o souberam ou quiseram ser, todos.

Nenhum político “destes” que pela Europa não souberam funcionar, nestas mais que últimas duas décadas, sabe como outras “coisas” não sabe, assumir as suas responsabilidades e abertamente dizer que não soube fazer o que deveria ter feito. Agora, chegamos à confusão aberta e clara, agora vamos ter a Frau Merkel e o seu ministro das Finanças Sr. Schäuble a quererem proteger a Alemanha do terramoto, fazendo “de conta” que ainda querem que o projecto europeu não acabe. A Alemanha apesar de ser uma grande potência, é pequena no espaço global que hoje vivemos. E independentemente da reforçarmos pelo mundo, a nossa decadência uma vez mais como Europa, a História repete-se, sempre, mesmo que de forma actualizada, vamos penar nos próximos anos, nas próximas décadas, e não seria necessário. Sendo que a dificuldade de “pensar”, que a todos nos está a assolar com distrações que nos “metem” pela frente e para assim nos domarem, deveria acabar e pensarmos como sociedade civil, em fazer muito mais todos do que temos feito, quando os políticos de serviço e de oposição não são competentes para o saber fazer. Ou não!”

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 24/06/2016