Brexit até 20 de Maio ou confusão europeia

 

O referendo  ao Brexit  foi convocado por um primeiro-ministro que, para ter espaço  para continuar  no poder, precisava de um “sim” pela Europa.  Mas o resultado acabou por ser “não”  e este abalou  nas nuvens da derrota. Como o governo era — e continua a ser —  conservador, surgiu uma Primeira-Ministra que até era pela continuidade  do Reino Unido na União Europeia, mas  que iria ter de obedecer ao resultado  do referendo. A empreitada que assumiu  voluntariamente seria conduzir o país  para ser novamente “soberano”. Sem império e  sem apoio  dos EUA não  iria ser simples. Mas nada como tentar. Começou então uma (muito) difícil negociação com a UE. Quanto a esta última, algumas luzes,  caso incomum, permitiram a unidade dos 27 Estados-membros,  sendo impostas regras (e custos) imprescindíveis para qualquer país que queira sair da União. Até  para não  haver tentações de mais abandonos. Logo foram preparadas as consequências da saída do Reino Unido, um parceiro da NATO, desde a primeira hora. Um país que, apesar de tudo, não se imaginaria fora da União Europeia.

No caso do Parlamento  Britânico, visto como um exemplo de  democracia  para o mundo,  mostrou-se incapaz de encontrar uma saída política adequada para o Brexit, pelo menos até esta altura. E ao fim de dois anos os britânicos parecem agora querer ficar na União Europeia, num período  em que os europeus se foram entendendo entre si, caso raro como já notado. Mas se não  sair da União antes das eleições  europeias  de Maio  de 2019, o Reino Unido vai provocar também uma confusão na União. Foram dois anos em longas negociações  que parecem ter voltado à estaca zero. E se o Reino Unido não sair  nos próximos dois meses as negociações  prolongar-se-ão  e com elas a indefinição política e instabilidade social e económica. Os restantes Estados-membros vão começar  a mostrar os seus desentendimentos. Mas, nada se resolveu  em dois anos,  quantos mais serão necessários?  O Reino Unido ficará  sempre  com um pé  dentro  e outro fora. E os restantes  27?  O mais certo é a União Europeia  fragilizar-se, ainda mais, com a confusão gerada pelos britânicos agora a contagiá-la a partir do seu interior…

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 6/04/2019