Campo de concentração de Mauthausen na Áustria: recordar e não repetir

A 5 de Maio de 1945 o Campo de Concentração Nazi de Mauthausen, na Áustria, a 20kms de Linz, foi libertado pelo Exército dos EUA.  Campo de terror como todos os campos de concentração nazis. De tortura,  de dor, de barbárie, de morte. A seguir à libertação, ficou na parte da zona de ocupação soviética na Áustria,  sendo “devolvido aos austríacos“ pelos soviéticos em 1947, passando a Memorial Nacional e em 1957 o chanceler Kreisky abriu no local o Museu Mauthausen. Hoje, a Áustria no seu Parlamento tem 25% dos deputados de extrema-direita, sendo, até ao momento, o país europeu que proporcionalmente mais patenteia este extremo pouco recomendável.

A Áustria que sofreu na pele as torturas do nazismo,  infligidas pelo criminoso Adolf Hitler lá  nascido, parece — já não parece só dado ser “um facto” —  abraçar a extrema-direita. Em 1938, quando da ocupação nazi, muitos austríacos viraram a favor de Hitler, e, como Hannah Arendt escreveu, não seria só a cumprir ordens que muitos obedeciam, absolutamente. Claro que, por certo, se isso connosco acontecesse faríamos o mesmo, mas foi uma realidade. Por muito pouco o actual Presidente da Áustria, que é ecologista, não o seria também da oriundo da extrema-direita.  Quem isto escreve é filho e neto de mãe e avós refugiados do Anschluss, e com imensa dificuldade consegue entender, depois de tudo o que lá aconteceu,  como se quer colar a Áustria a um extremo que tem vinculação a um passado horrendo e não tão longínquo. 

E as comemorações e tudo o mais que seja feito,  no caso a 5 de Maio, são mais que  devidas a todos que tudo perderem de si em Mauthausen, que para muitos não foi só  a vida, como, o sentido desta. Mas já não é suficiente,  quando com demasiada leveza se veem erguer muros em países europeus.  Quando se fala outra vez, mesmo que  subtilmente em “raças”, tentando diferenciar pessoas pela cor da pele, pela religião,  pela tendência sexual. Quando já se  aponta, novamente,  o dedo aos judeus e não só. Mais que recordar seria necessário tudo fazer para não repetir.

Tudo seria imprescindível fazer para incluir e nunca excluir,  como já está a acontecer na Áustria. Esperemos não  ter que passar por mais uma guerra ou algo idêntico na Europa,  para mais tarde voltar a consternar/relembrar/ chorar, por em 74 anos so se ter sabido recordar, e esquecer de não repetir. Anne Frank escreveu que “o Homem se fica em Paz tem que criar a Guerra”. Como era bem sensata esta jovem! E lá virão novos memoriais e outros tantos museus depois de mais uma carnificina de pessoas contra pessoas.

© Augusto Küttner de Magalhães, 8/05/2019