A China e as sanções dos EUA à Coreia do Norte

 

Como é evidente a China não é exemplar em muito como hoje actua, quer interna quer externamente. Mas se por vezes na política internacional Obama teve demasiados avanços, indefinições e recuos, que impediram que hoje, mundialmente, estivéssemos melhor, o actual Presidente dos EUA é um desastre, quer na forma, quer no conteúdo do que faz. E se, internamente, é um problema dos americanos, dado que o elegeram democraticamente, a nível internacional sendo ainda os EUA a maior potência global, é um problema para o mundo. A China evidentemente que está a todo o custo tentar  substituir os EUA como primeira potência mundial, pelo que tudo o que faça, ou deixe de fazer, e todas as reacções ao que outros façam, ou deixem de fazer, são de desconfiar. Quanto à Coreia do Norte tem sido demasiado protegida pela China, daí ainda ter dinheiro para sobreviver, uma vez que 92% das suas exportações são para os chineses, incluído algo tão poluidor como o carvão. Para a Chima não há qualquer interesse em que as duas Coreias se venham um dia a unificar, dado que seria um bloco que lhes poderia fazer frente e aliar-se ao Japão. Daí encontrar formas de a Coreia do Norte e o seu “querido líder” se aguentarem independentes.

Mas acções decididas por Donald Trump contra a Coreia do Norte impondo unilateralmente – como argumenta a China –, sanções a 27 empresas marítimas registadas ou com sede em países que mantêm ainda relações comerciais com a Coreia do Norte, para aumentar a pressão e isolar ainda mais o regime norte-coreano, são inadequadas. Sanções, estas, económicas, divulgadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano, que também abrangem 28 navios com pavilhão dos mesmos países: Coreia do Norte, China, Singapura, Taiwan, Hong Kong, Ilhas Marshall, Panamá, Tanzânia e as Ilhas Comores. Logo a China reage, mas a ONU nada faz dado o poder dos EUA  sobre esta. Quanto ao querido líder da Coreia do Norte insurge-se dizendo que nos próximos duzentos anos a Coreia do Norte não terá relações, sejam quais possam ser, com os EUA. Como se fosse possível prever algo no nosso mundo com tal desfasamento temporal Em tudo isto, o mais grave e perigoso são mesmo o tipo de líderes que temos em potências com influência regional ou mundial, que não são nada tranquilizadores para o mundo!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 26/2/2018