A decadência do Reino Unido

 

O que ainda se apelida de Reino Unido, aquelas ilhas “ainda” fazendo parte da Europa, situadas entre esta e os EUA, que já foram a origem do Império Britânico, está em progressiva decaída. E o mais grave é ainda os britânicos “se assumirem” como grandes e que podem fazer a diferença num mundo global, tomando posições de isolamento europeu. Hoje, de Império Britânico já nada existe, como tal a “Commonwealth” é algo “honorífico” e nada mais que “isso”. A vontade de o Reino Unido querer impor-se, como se tivesse meios para o fazer, está a mostrar como a nível de países, à semelhança do que ocorre a nível pessoal/individual, não se sabe encarar o tempo de deixar de ser importante e de ter alguma influência nos outros. Sem dúvida que é muito difícil e ficam traumas, quer na pessoa que um dia teve muito poder e/ou dinheiro e de repente tudo se lhe acabou, quer em países grandes e poderosos, como foi –a título de exemplo — o caso do Império Austro-Húngaro e como hoje, ainda, a Áustria não se sabe bem como se posicionar. Mas a Áustria apesar de ter politicamente derivas de extrema-direita, que o Reino Unido já tem e vai agravar, ainda tem prosperidade económica, mas o Reino Unido talvez já nem isso. E de facto esta “fuga” para o nacionalismo que tem sido o mote de Donald Trump nos EUA e que está a ser a última tentativa de o Reino Unido não se afogar em águas do Atlântico, não está a resultar.

E tudo se tem vindo — e com pena aqui se escreve — a destruir em Londres, cidade bela para quem isto rabisca, e não vai por aqui cessar. No Reino Unido, o serviço público de saúde, que era exemplar, hoje está a ficar de rastos, e toda uma série de referências, não históricas — estas ainda vivas e marcantes —, que faziam a Grã-Bretanha ter sido o Império Britânico, estão a cair a cada dia que passa, e veremos, sempre com muita pena,  provavelmente tudo pior dentro de pouco tempo. Claro que se houver algum milagre (?), teremos outra vez um Reino Unido próspero e influente, mas parece não se estar em vagas milagrosas. E tudo se poderá desmoronar. O “Brexit” vai ser a última machadada em algo que ainda podia fazer ser o Reino Unido uma referência. E talvez venhamos ainda a ver — com pena—, a total subjugação do Reino Unido aos EUA. A Europa já não faz parte dos planos britânicos e também ainda não é um exemplo, de facto, de União! Tristes tempos mas os britânicos puseram-se a jeito para que assim pudesse lhes acontecer. A protecção dos que menos têm, dos que mais precisam que era “algo!” bem conseguido no Reino Unido já deixou de acontecer. E hoje já olhamos para as Ilhas do Atlântico sem reverência, como o fazíamos há umas décadas atrás. Será mau, será pena, mas dificilmente o Reino Unido escapará a piorar de dia para dia. Ou talvez não.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 17/02/2018