Donald Trump, a China e as eleições presidenciais nos EUA

Com a aproximação das eleições, Donald Trump tenta afastar a atenção das suas responsabilidades quanto à gestão da  crise da Covid-19 nos EUA e passou a atacar (a atacar os outros, claro)!  Culpa os meios de comunicação social, acusa os congressistas democratas, culpa a administração Obama e os governadores dos Estados e finalmente culpa a OMS, virando-se também em força contra a China. Aparentemente, é o único que não tem culpa de nada apesar de ser quem tem o poder de decidir nas mãos. É verdade que  a China vergonhosamente encobriu o mais que pode o surto epidémico em Wuhan e poder-se-á sempre assumir que a pandemia ganhou a dimensão actual no mundo por culpa do P.C. Chinês. A China  tenta agora aparecer aos olhos do resto do mundo como o país que primeiro dominou o vírus e o que estaria — está mesmo?  — na dianteira da cooperação mundial para neutralizar a doença. Também podemos assumir como motivo de desconfiança norte-americana a eleição do etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus para director-geral da OMS, apoiado pelos países africanos e pela China. Talvez seja isso que levou a OMS  “esquecer-se” de em tempo adequado dar mais informações ao mundo sobre a situação real na China e sobre a gravidade da Covid-19. Parece hoje líquido que a China escondeu também muita coisa, não só o início do contágio como no número de mortes que, agora, com retroactividade, vão aparecendo e crescendo. Tudo isto são problemas reais, mas não ilibam a desadequação da resposta de Donald Trump à Covid-19 nos EUA (tendo até ele-próprio elogiado a China a certa altura). Atacar todos é também uma forma de não assumir o que de errado se fez e se continuará a fazer. Veremos se apesar de tudo isto em Novembro os norte-americanos o vão reeleger e também se depois alguns  ficarão espantados por terem novamente tal figura como Presidente, apesar de o terem (re)eleito…

© Augusto Küttner de Magalhães, 20/04/2020

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