Donald Trump já não se vai encontrar com Kim Jong-un, evidentemente

 

As viragens tão súbitas e tão expectáveis que Donald Trump faz, quer em política interna, quer externa, já a ninguém admiram, e por certo muito menos ao próprio. E, se há meia dúzia de meses face aos ensaios nucleares da Coreia do Norte, chamou “animal”  a Kim Jong-un, passou a dizer ou twittar — depois do encontro entre as Coreias —,  que os EUA iriam proteger o povo norte-coreano apoiando-o materialmente e politicamente, desde que se desnuclearizassem.E incluía na proposta o seu líder que antes vilipendiara (Kim Jong-un)! Passou de um extremo ao outro com toda a sua usual rapidez, prometendo o “mundo” e a fortuna aos norte-coreanos. Isto depois de ter rasgado o acordo nuclear com o Irão, que os EUA e outros Estados haviam assinado. Todas estas iniciativas mostram a instabilidade das ideias e comportamentos que variam a seu bel-prazer!

Claro que, independentemente dos procedimentos da Coreia do Norte serem totalmente desadequados, ficar sobre a “ordem” de Donald Trump levaria, mais tarde ou mais cedo, a afastar ou eliminar Kim Jong-un do poder, e depois anularia qualquer espécie de soberania dos norte-coreanos. O desígnio de Trump não é a paz na região, ou a união das duas Coreias, mas fazer tudo para não perder influência naquela zona do mundo. O alvo imediato parece ser a China, mas, com a sua inconstância, pode já não ser bem assim mais à frente. E, sendo mau para o Mundo, que Kim Jong-un ande a fazer experiências nucleares descontroladas, não parece ser evidente que se deixe iludir por Trump. Nem palusível que se anule a bem de umas possíveis melhores condições de vida para o “seu” povo, que de facto está muito mal.

Provavalmente eram estas as possibilidades, agora anuladas, de encontros e “negociações”! Trump vai continuar a dizer que sim hoje, amanhã não, e depois talvez. Como é o Presidente eleito da maior potência mundial, pode faze-lo e faz — ainda — provocando mossa noutros países e noutros continentes. Assim, a Europa tem que saber tomar decisões e unir-se enquanto é tempo, sem nunca tomar a Rússia como sua inimiga ou atirar-se, deslumbradamente, para os braços da China. Mas se não pode contar com os EUA — pelo menos nesta altura —, tem que se virar (sem medo da Rússia), para alternativas como o Canadá, a Austrália,  a Índia, o Japão e outras potências democráticas. Isto enquanto é tempo! E quanto à Coreia do Norte, não estando nada bem, nada (a fome abunda), tudo indica que não se irá deixar dominar pelos EUA. Pode é  tornar-se um problema agravado da Ásia-Pacifico, pela insconstância de Donald Trump!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 25/05/2018