Estaremos a querer chamar a III Guerra Mundial?

 

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Estamos a viver tempos desmedidamente tempestuosos, com demasiados individualismos e egocentrismos, que criam permanentes estados de “elevada” tensão. Isto, vai-se notando a cada dia que passa, quer a nível dos indivíduos quer dos países, num tempo supostamente global e aberto a tudo e a todos, mas que nos fechamos e mais em reditos intransponíveis. Toda uma época de solidariedade – palavra de difícil pronunciação e que até deixou de ter espaço – que foi sendo vivida desde os anos 50 últimos até início deste século se vem a esboroar, descontinuar. Os nacionalismos no pior do que representam estão num crescendo assustador em muitos países, e a Europa é um vespeiro desta “praga”! A desconfiguração de tudo o que se construiu no pós II Guerra Mundial, está-nos a empurrar e com excessiva força, para tempos demasiado turbulentos. O aparecimento de “supostos salvadores” em várias latitudes, que mais de que Nacionalismo podem fundear Fascismos, está por todo o lado.

Deveríamos todos e cada um, em vez de esconder/esquecer o passado para evitar repetir erros graves que foram cometidos e que nos aproximamos a reviver, antes, parar para ”pensar” — algo, hoje também totalmente em desuso – antes que seja demasiado tardio para o vir a fazer. O presente é de facto para ser vivido, hoje, mas como somos os animais mais dotados que existem à face da Terra, devemos saber de facto fazer a diferença para todos os outros e conseguir discorrer, analisar, fazer pontes entre o passado e o futuro, e não só animalescamente “viver o dia de hoje”! Se não, o futuro, já amanhã, será muito pouco promissor! E se estamos todos com “imperiosa “ vontade de repetir erros do passado que estão, aqui, latentes por todos os lados, e, caminharemos com demasiada ligeireza para uma III Guerra Mundial. E tendo sido perguntado a Einstein o que acharia “se isto” viesse a acontecer, só sabia que a IV Guerra Mundial seria entre meia dúzia de humanos, com paus e pedras, dado tudo ter ficado “totalmente “ destruído.

Erdogan, na Turquia, está a tentar unificar um espaço turco difícil, pelo que se torna uma espécie de ditador em democracia, algo não exclusivo nestes tempos que estamos a viver, até entre países da apelidada União europeia. Hitler fez o mesmo. Putin, tem como único fito — tique? — da sua actual existência, ser um Czar russo. Trump que muito possivelmente será o próximo Presidente dos EUA — além de já ter cativado, hoje, uma boa metade da população da sua terra – será a personificação de um doido à frente do maior país da Terra. A União Europeia tornou-se um “bando” de países que já nem disfarçam, que têm políticas próprias e que colidem em tudo que possa ser uma União/unida, e cada um olha para seu interesse exclusivo, até tudo implodir, e por dentro. Algo que já aconteceu, por diversas ocasiões, antes dos anos 50 do século passado, mas como foi há décadas – parece milénios – já ninguém se quer lembrar. O Brasil, perdeu uma vez mais a noção de Democracia e vale tudo para fazer proporcionar o dinheiro vindo por formas menos legais, menos limpas, mais “sujas” e o poder está sem rei nem roque. A China — dita comunista, mas na práctica capitalista — está a tentar catalisar todas estas confusões em seu favor, tentando ser a sucedânea do que hoje “ainda” são os EUA.

Pessoas, que tiveram responsabilidades elevadas em supostos centros de decisão na União Europeia, prestam-se sem qualquer pejo a trabalhar para bancos, para “única e exclusivamente vender” o que sabem sobre os postos, que antes ocuparam. A ONU está na fase mais decrescente, de ser um espaço que não se adaptou a esta realidade nada simples, e que se não houver jogos menos claros, virá no próximo ano a ser liderada por um português capaz, mas que não terá força, nem meios, para fazer o que deve ser feito. E, neste estado de “coisas” se não “iniciarmos” nos tempos muito próximos a tal III Guerra Mundial será um acaso ininteligível, mas, se continuarmos como estamos implodimos seja como possa ter ser , e, assim não estamos a fazer futuro, antes, estamos a destruí-lo. E, a nem viver condignamente o presente, até por descartamos tudo o que nos “faz” humanos, como os relacionamentos genuínos entre pessoas – que muito substituem por outros animais, nossos inferiores, ditos de estimação — o respeito, a família, tudo!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 19/09/2016