A Europa e o Islão: não ceder nos valores fundamentais nem excluir

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

O isolamento que se foi criando relativamente a algumas “pessoas” e inerentes “religiões”, para não nos contaminar e para não nos fazer “mal”, não resultou. A proibição, a título de exemplo, do uso da burqa em França – não fosse por baixo serem levados explosivos, e alguém fazer-se “rebentar” com os danos colaterais daí consequentes – não resultou. E os fanáticos, os doidos, os imbecis, e alguns extremistas-islâmicos fazem descaradamente o que se acharia ter que feito mais “escondido”. A proibição de minaretes não só, mas também, nas mesquitas em França, com a alegada ideia de que somos Estados laicos  – o que em muitos casos tenta-se que seja um facto –, não ajudou nada, pelo contrário criou mais “exclusões”. O medo, por vezes fundamentado e a ideia que nunca poder ser permitido o contágio/domínio do Islão na Europa, a partir de pessoas um pouco mais “escuras” que nós, mesmo que com a nossa nacionalidade, fez criar “intencionalmente “ guetos, onde se “meteram” esses que ficaram para ali, supostamente para não nos causticar. Tudo isto resultou no que estamos a viver nestes inícios do século XXI, e os tais que, em loucura própria, como forma de uma vez na vida serem notícia – até na sua morte, assassinando – em nome do Daesh, e pontualmente às ordens deste, se fazem explodir, fazem-nos sem ser tapados, descaradamente.

A exclusão, a marginalização, o fechamento, criou muito piores resultados que a “liberdade” que os franceses tanto apregoaram e que a Europa após a II Guerra Mundial soube e bem construir, como algo seu, nosso, Europeu. E que se foi adulterando a partir de finais do século passado. Em vez de nos reforçarmos como “a” Europa, como “os” Europeus, como o que deveríamos ser, fez-nos exactamente o contrário. Como estamos a sentir, agora! E temos uma História Europeia tão longa, tão edificante, claro, com tanto os erros de permeio, mas com tanta “coisa positiva” e nada aprendemos! E, com estas exclusões todas, estamos a correr o risco de ser dominados pelo Islão, aqui nesta Europa que já foi o centro do Mundo e hoje é um Museu a céu aberto, onde podemos ser visitados, a troco de uns turistas, E pouco mais. Claro que “isto” seria previsível, apesar de na altura que se “estabeleceram “ as proibições acima referidas, ser-se motivo de críticas desajustadas, por achar-se que se estava a seguir o percurso errado. Quem achava que não devia ser esse o caminho era criticado.

Bem, estamos nos que estamos e ainda vamos a tempo de “inclusão” – sempre com o desígnio, nosso, Europeu – se todos acharmos que vale fazê-lo. E todos temos que ajudar, desde os líderes islâmicos que têm que perceber que estão na Europa, tendo todas as liberdades, mas estão na nosso Europa, e, todos os restantes muçulmanos, todas as outras religiões, e todos nós e cada um, mesmo sem religião, mas com civismo, respeito, direitos e deveres, e propósito Europeu. E se o fizermos, apesar dos problemas demográficos europeus, ou seja envelhecimento sem substituição geracional, incompetências por vários lados e o económico a dominar o político, ainda poderemos ajudar a “dar a volta, e continuar Europa”. Estamos assustados e com motivos para tal, a viver estes tempos, difíceis e complicados. Estamos cá, hoje, e isto corre aqui ao lado e pode entrar-nos porta adentro, de onde não seria de esperar. Mas, façamos todos, todos, por nos unirmos em torno de ideias e ideais, sem pretender uniformizar tudo e todos, mas pelo contrário, dando espaço e liberdade, na Europa, europeia, desde que nos deixem e queiram que façamos o mesmo. Todos a apostar na inclusão e nada por exclusão, dado que será uma forma de desarmar,  em todos os sentidos, os fanáticos, os doidos e até os islâmicos – radicais do Daesh. Ou então criemos mais fechamentos, mais muros, mais fonteiras, deixando cá dentro quem nos irá destruir!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 28/07/2016