O FMI e a destruição da Europa

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
A Unidade Europeia não é “algo” que sirva de “arma de arremesso” contra a falta de solidariedade do FMI, pelos países que tiveram o azar de ter que recorrer à troika, da qual o FMI faz parte, parece não ser possível haver dúvidas. A Europa se acabar por se deixar dominar pelas opiniões não poucas vezes excessivamente severas do FMI sobre países europeus, irá sofrer, no seu todo, consequências desastrosas. Apesar da Presidente do FMI ser uma francesa, não está “virada” para a Europa, nem teria que estar, mas não deveria o seu FMI, ou os seus técnicos terem de actuar, como têm feito, contra a Europa. E todo o trabalho que o BCE possa estar a fazer em prole de um melhor futuro Europeu, como a FED faz pelos EUA, pode, no primeiro caso, ser derretido, pelas informações negativas permanentes que ultimamente o FMI presta sobre alguns países europeus, entre os quais nos incluímos, bem como Grécia, mas não só.

A Europa, país a país, parece estar a ser o alvo preferencial do mau-olhado do FMI. Talvez esteja a chegar o tempo de algo quase inconcebível de não ter sido ainda feito neste últimos anos na Europa, de esta, se tentar, de facto, unir mais em torno do BCE, e de interesses europeus num tempo e mundo global, quase sempre a aguardar a esperança de melhor compreensão do FMI. Se a dívida astronómica portuguesa na agência de rating canadiana – as agências de rating mandam, demasiado –  ficar “lixo”, dado ser a única onde ainda não está, talvez o seja, face à última visita do FMI ao nosso País e seria muito mau. Seria péssimo, razões exteriores ao nosso possível controlo, terem esse efeito, e unicamente porque sim. Sem dúvida que nestes últimos 5 anos no nosso País, a Economia e o Emprego ainda nada cresceram, mas não deveria ser possível, agora, uma Instituição sediada fora da Europa vir colocar tudo em causa, a ver se tudo se desmorona! Se não aguenta. Haveria, talvez, mais que se preocupar, com cada vez mais escândalos a nível global, de pessoas importantes nas mais diversas áreas de cada País, tantos fora da Europa, que parece que se esquecem de pagar impostos e “outras coisas”, apesar de o exigirem, a quem dos mesmos, não pode fugir.

A Europa tem que fazer muito mais por si própria, do que tem feito, a Europa nas mais diversas áreas, tem se comportado como uma manta de retalhos. A crise dos Refugiados é mais um exemplo, bem como a dos bombistas, e os vários países europeus, numa Europa que se exigiria Unida, funcionam de costas uns para os outros, bem como as suas polícias secretas. E na Economia, nas Pescas e em mais sectores tudo funciona mal. Logo, mais uma razão para haver alguma reacção ao que o FMI bombardeia, e depois como já aconteceu connosco, depois do mal feito, veio dizer que não deveria “ter apertado tanto”! Os EUA e bem, não permitem este espezinhar, será que a Europa vai continuar a não querer perceber, que os outros nos estão a querer mais a desfazer! Quando já se está no chão mais nos batem de cima? E então a União Europeia não passa de uma ficção?

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 4/04/2016