A fragilidade do Ocidente secular

 

Hoje, e já vem de finais do século passado, no Ocidente ser secular, ou seja, ter maioritariamente deixado o Cristianismo sem o ter substituído por outra religião, não será a base do nosso problema, mesmo com os islamistas-jihadistas a aproveitar este vazio religioso para à força impor o Islão, tal como nas Cruzadas do Ocidente já fez a Igreja Católica! Hoje, o grave problema é que perdemos conceitos da verdade “humana” que nos faz – fazia? — ser superiores e por isso distintos de todos os outros animais e muito superiores a estes. E assim, procuramos em tudo o imediatismo, o gozo e prazer imediato, sempre e só, o não esforço para o alcançar, e a usufruição de qualquer jeito de bens materiais, e até mais para mostrar a que propriamente aproveitar. Querer “ir “ a todo o lado e lá estar, não aproveitando essa estadia, mas só, só fotografando — para não mais ver, e muito menos recordar — selfies — unicamente para mostrar a outros que ali se está e “ter” o que de mais actual em tecnologias existe para exibir esse “ter”. Que vai do grande automóvel, ao mais recente telemóvel, à tatuagem mais fashion! A família de onde se veio só se lembra se der jeito, a constituição de família futura não se faz, dado que implica compromissos, responsabilidades, esforços  está fora de uso. E alega-se não haver trabalho, logo gasta-se o que se tem, já!

E então, nós humanos estamos a tornarmo-nos desumanos, e disfarçamos com algumas “causas” que comemoramos um dia por ano, por ser “o dia dessa causa”,” da mãe, do pai, da criança, da mulher, do ambiente, de qualquer coisa”! Somos supostamente muito “amigos” dos animais de estimação que abandonamos ao desprezo quando vamos de férias. E estamos a esvaziar progressivamente o conteúdo do ser “humano”. E aqui, os fanatismos de alguns islamistas tem uma “porta de entrada “ e em nome de Alá e do profeta Maomé, fazem-se explodir em locais onde os ocidentais se estão a divertir — e o problema de forma alguma está no divertimento, também tão necessário, mas há mais do que isso. E vão matando os ocidentais seculares, não por estes serem seculares, mas por serem tão materialistas e unicamente em busca do prazer imediato fugindo a compromissos e responsabilidades. Talvez seja a altura de também aqui, no Ocidente, sermos diferentes, sermos essencialmente Humanos, sermos Pessoas e podemos continuar seculares — porque não? — mas não devemos é continuar tão “animalescos”, dado que se o fizermos vamos pela força, pela barbárie ter cá dentro outra religião que nos vai ser imposta! Tal como noutro tempo foi imposto o Catolicismo Romano! Ou não, e continuamos o nosso  hedonismo vazio.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 6/07/2017