E se em França se repetir o que aconteceu nos EUA?

 

 

Em França haverá vontade de repetir o que aconteceu nos EUA? A vitória de Donald Trump nos EUA é um facto e foram os americanos que nele votaram e o elegeram, estando fora de questão se Hillary Clinton teve mais votos. O sistema eleitoral americano está feito “assim”, intencionalmente, para alguns Estados terem menos peso que outros, mesmo tendo mais votos. Donald Trump ganhou — para além do “sistema eleitoral” — por Hillary Clinton por não ter sido (não foi mesmo), uma boa candidata, dado estar muito agarrada ao sistema, ter vários podres na sua carreira, e ter baixado o nível nas eleições tentado colocar-se “rente” a Trump. Claro que Donald Trump seria o não desejado Presidente dos EUA, mas está lá, e foi “o” escolhido pelos americanos. Quem se esqueceu de ir votar “não nele” agora protesta mas é tarde! Em França parece que se quer seguir o mesmo caminho, ou seja, votar no mal menor, que será para mal da União Europeia, uma cópia francesa do Donald Trump, a senhora Marine Le Pen. Claro que não para os próprios franceses, se acharem por bem — ou menos mal — e, elegerem-na!

Mas, hoje, estamos todos desiludidos com o “actual” sistema dos políticos, das politicas, dos “arranjos, das corrupções e dos favores”, e “isto” em todo o mundo ainda “dito” democrático, e, claro
que Le Pen tal como Trump não são exemplos exemplares de nada, ambos tem as mãos mais queimadas por corrupção, and so on, mas como o resto “parece pior, logo, assim o mal menor são eles. Logo, votos pela negativa! Na França, o candidato Fillon, do Partido Republicano — de Sarkozy —, das direitas francesas, quando ocupava um cargo público deu um emprego fictício a sua mulher e à custa do Estado Francês pagou bem pago, para nada a senhora Fillon, fazer. Como é evidente não será o “ideal” para um futuro Presidente da França, mas nada o demove — hoje não há vergonha — de desistir de ser candidato, logo é perdedor à partida com no máximo 17% das intenções de voto, ficando fora da corrida logo na primeira volta.

O PSF com um “exemplar” muito mau no ainda actual Presidente Hollande, que se fosse a eleições teria como intenção de voto 4% (o que não o impede de poder vir a ser, não eleito, mas nomeado Presidente do Conselho Europeu!) não se entende. Não tendo conseguido encaixar o candidato mais à direita e antigo Primeiro-Ministro de Hollande, escolheu o candidato mais à esquerda, mas não criou consensos, e pode ser também para perder ou até fazer implodir o PSF. E, de fora do sistema, apareceu Emmanuel Macron, que poderá — ou nem por isso —, derrotar na segunda volta Le Pen (extrema-direita), caso lá chegue, mas não por si mesmo, unicamente por poder reunir as forças que são contra esta última.

Mas Le Pen pode ganhar. Depois do Brexit, de Trump não seria de espantar, pela negativava, contra o sistema e será trágico dado que vai fazer o mesmo que Donald Trump, todo contente, está a fazer nos EUA, apesar dos checks and balances, já estragou muito e já fez o que se não esperava que, hoje, os EUA fizessem. Logo Le Pen sairia da Europa, da (des)União Europeia e por aí adiante, e claro que tem tal como também já teve Trump o apoio da Putin, que evidentemente nega mas é dos mais interessados em que a Europa vá implodir, de vez, e que os EUA estejam de costas para esta mesma Europa em desconjunção total. Mas será que vamos ver tudo isto anoitecer, se Fillon não desistir e se mais podres aparecerem? E que mais de trágico se seguirá a Holanda? E mais… valha-os o exemplo não esperado da Áustria em Dezembro último, que não elegeu um Presidente da extrema-direita, mas o resto é muito mau, e não haverá culpados?

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 15/02/2017