Grécia com uma coligação das extremas era difícil resultar

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Independente de o resultado eleitoral grego ter sido democrático, e foi, a coligação que suporta o actual Governo é uma junção de extrema-esquerda com extrema-direita. E não será muito normal. Como escrevia Rui Tavares uma destas segundas ou quartas-feiras no Público, para as políticas não se tornarem banalidades, tem que continuar a haver Direita e Esquerda.

E aqui, enquanto ainda pensamos, se, é-nos possível “pensar”, sabemos que há diferença, por certo, entre direita que é mais individualista, que afasta mais o Estado Social, e esquerda que é mais colectivista e mais a favor do Estado Social. E, quando mais extremadas supostamente ficam mais fortes, nestas convicções. E assim uma extrema-direita aliada a uma extrema-esquerda é capaz de não dar muito efeito.

Conforme Henrique Monteiro, e bem escreveu, no Expresso mais recente 20/06/2015, talvez o que apareceu “disto” foi um Governo do “contra, sem programa”.

Bem, e agora, tudo se faz ou tudo se desfaz por ordem da Frau Merkel, que de facto continua a ser quem manda na Europa, e o resto é folclore! Claro.

Mas convenhamos que chegou o momento do Governo Grego fazer das “trypas” coração, arranjar um programa de Governo credível, concretizável e actuar. E aí a Frau Merkel decidir.

E se a Alemanha e a Frau Merkel têm aquelas raízes alemãs de pouco “coração”, também não podemos, ou não devemos banalizar tudo, deixar tudo “à balda”, e alguém vai-se “chegando, sempre, à frente” para a Europa não desmoronar. Não pode ser. Todos gostaríamos de gastar, gastar e alguém pagar, pagar! Mas!

Claro que Governos, como o português – que ainda temos – que fica feliz e contente por fazer mais do que a troika lhe “mandou” também não interessa, principalmente a nós portugueses. Mas não aparecem alternativas concretizáveis!

Porém, não pode ser tudo num faz de conta a ver se funciona, e se não acontecer tem que se ir dando jeitos e fazendo remedeios, a ver se dá.

E como a União Europeia está um pântano, quanto mas remendos forem feitos e piores resultados teremos amanhã, dado que de facto vivemos um dia de cada vez, mas hoje é hoje, amanhã é amanhã, mas se atamancarmos tudo, como a Europa vem a fazer “isto vai tudo acabar muito mal”.

Temos que ter uma Europa unida pela política, com política, e não só com economia, pela economia e com interesses de minorias económicas, mas não podemos fazer disparates unindo esquerdas e direitas – apartadas – e mais o que seja, só para estar do contra!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 23/06/2015

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