Grécia, empréstimo para pagar dívidas e aumentar a Dívida

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Se persistentemente nos mantivermos no mesmo erro, cada vez mais resultados desastrosos iremos ter. Se gastarmos – todos e cada um, a nível individual ou global – mais do que temos e recebemos, estamos mal e ficaremos muito pior. Se, para além “disto”, tivermos que constantemente ser amesquinhados, envergonhados e “apelidados de tontos”, temos todas as hipóteses para dar o “estoutro”. Bem, o primeiro exemplo disto é a Grécia, mas pode facilmente ser replicado a mais países do Sul da Europa, nos quais nos incluímos, e convém não o esquecer, como por alguns “responsáveis”, neste últimos tempos tem feito, por ordens de Frau Merkel. E, tal como nas famílias, que por muito que se ache serem exemplares, sempre que “mete dinheiro”, dá confusão, dá trapalhada, a Europa está em dissolução familiar, plena. Claro que, nas famílias não se pode estar sempre a ajudar o “parente” que insiste no erro, que leva uma vida à grande e quando lhe é dito
que tem que ser mais comedido, não liga. Mas “isto” é dito em privado, não nas redes sociais, não nos jornais, não nos telejornais em directo ao vivo, e a cores. “Isto” é dito não para amesquinha mas para fazer mudar de vida. Porém o inverso também não poucas vezes acontece, que é impulsionar o “parente pobre” a repetir os mesmos erros, e depois alegar que “não tem tino” e não vai ser mais ajudado. Mesmo assim, com algum recato!

Bem este é o nosso panorama Europeu, esta é a imagem da Desunião Europeia. E para já o parente pobrete e em desgraça é a Grécia. Claro que, o parente pobre tem que arrepiar caminho, tem que ganhar rumo, tem que arrumar a casa, dado que de facto não o tem feito. E se não o fizer, vai ser a sua dívida para com a restante família que nunca a vai conseguir – nem querer – pagar, antes aumentar. E vai acabar mal. A Europa está nisto, a Grécia está nisto, Portugal está nisto, e vejam-se cá as Reformas que estão totalmente por fazer: Justiça que funcione rápida, célere e justa, redução das Câmaras Municipais para menos de metade – e nunca Juntas de Freguesia, que tantas não têm custos -, redução de Direcções Gerais para menos de metade, redução de Reguladores de Reguladores por forma a ficarem poucos mas muito bons. Redução já, dos Deputados de 130 para 180. Tudo por fazer. A Grécia está pior. Claro que está. Mas se a ideia for amesquinhar, envergonhar, e pelo meio “mandar” as Bocas que é para a deitar rapidamente fora da Família, leia-se Euro, leia-se Desunião Europeia, vai resultar mal. E hoje temos a Grécia com dinheiro para pagar dívidas e aumentar a Dívida. Portugal a não criar riqueza que faça com que um estremeção em juros não nos faça entrar em aflição, logo no início do próximo ano, e com promessas eleitoralistas inconsequentes. E o Schäuble a querer impor à Merkel a sua vontade, estando-se marimbando para os restantes, e com o Hollande a achar que se o Reino Unido saltar fora da Desunião, ele fica ainda Presidente da França nas próximas eleições. E reformas de fundo com princípio, meio e fim não se fazem.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 23/07/2015