Impõe-se uma segurança e defesa europeia, já!

 

Já se percebeu que Donald Trump não vai deixar a presidência dos EUA pelo que possa fazer neste mandato e tem, provavelmente, hipóteses de ser reeleito para um segundo. Toda a sua campanha da “América fisrt”, e todas as inconveniências que faz com os líderes europeus, apontam para uma vontade de dividir. E este vai ser o desígnio de Trump e, de alguma forma, de muitos americanos que estão com Trump. Já chega de dizer que os americanos querem afastar Trump da presidência, pois essa é uma hipótese remota. E se a União Europeia continuar bloqueada, por ter deixado de pensar ou por ter medo de agir, mantendo-se “atada”, corre o risco de se dissolver.

Com Trump na Europa parece que não temos líderes à altura dos acontecimentos pois estes receiam o confronto. E um inculto como Trump, com uma vaga ideia da História, que funciona numa mera lógica de egoísmo e negócios, que diz o que lhe apetece, insulta uns, elegia outros, e depois faz o inverso, domina os acontecimentos. Por sua vez, os políticos europeus ficam em pânico. Em vez de se unirem numa posição firme comum ficam numa espécie de atitude de “vassalagem”. Mas isto não vai mudar. Trump já percebeu que é uma especie de elefante dentro de uma loja de porcelana onde quer que vá. E aproveita-se disso, que dá-lhe imenso gozo. Com Trump, este é o novo normal da diplomacia, como se viu pelo encontro com Kim Jong-un da Coreia do Norte. Foi um espectáculo mediático e nada mais que isso.

A verdade é que Trump acaba por conseguir fazer muito do que quer, privilegiando a lógica bilateral e menosprezando as instituições multilaterais. Assim, ou os europeus percebem isto se unem, ou Donald Trump e Vladimir Putin, cada um com os seus próprios objectivos, serão os ganhadores. A razão original da existência da NATO acabou: já não há URSS, nem Guerra-Fria, nem muro de Berlim (existem é outros “muros” dentro do espaço europeu). Como tudo isto que fez criar a NATO não existe hoje, a sua união é frágil. Para além disso, a Europa hoje tem tanto problemas de segurança interna como externa, com gravidade. Se continuar a achar que não sobrevive sem os EUA, será um aglomerado frágil de países dependentes de grandes potências externas. Está na mão dos europeus encontrarem alternativas para a sua propria segurança e defesa, ou ficarão num permanente estado de sujeição e vulnerabilidade!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 13/07/2018