Instituições europeias: tempo de dar lugar a uma nova e diferente geração

Na União Europeia, tal como entre nós,  ocupam-se cargos por nomeação política teoricamente escolhidos em nome dos  500 milhões de europeus. Quem os escolhe insiste e insiste em (auto)nomeações ou em actuar em círculo fechado, colocando os mesmos que já andaram um pouco por todo o lado. Talvez estivesse na hora de deixarem o espaço livre. Como é evidente, não se devem colocar pessoas totalmente inexperientes e sem perfil nesses importantes cargos. Todavia, não se entende — ou talvez se entenda até bem… — como têm de ser sempre os mesmos (muitos em fim de carreira ou sem lugar na política nacional) e que em muitos cargos por onde passaram o que fizeram não foi assim tão bem feito.  E continuamos a ter em lugares que deveriam ser de escolha democrática pessoas que não escolhemos, que já cansam por não saírem de cena, que não  foram assim tão especiais. Podem até danificar a democracia, não por serem anti-democráticas, mas por não trazerem nada de novo num tempo de mudanças. 

Tem de se considerar gente mais nova, pessoas com ideias renovadas, fora do círculo fechado habitual. Não se pode — ou não  se deveria — dar lugares como “recompensa”. A Europa, o futuro de jovens que deviam ser mais ouvidos e melhor escolhidos, e até o futuro dos mais velhos, é posto em risco por não se renovar um sistema que se fecha e auto-bloqueia. Percebe-se que se nomeia mais do mesmo para não se perder a oportunidade de, daqui a algum tempo, quem nomeou ser, por sua vez, recompensado com uma nomeação. O círculo é tão fechado que se vai de um lado para o outro num percurso não declarado mas sempre alinhavado na mesma lógica. Fecha-se a porta a jovens capazes e a tantos outros que não são desejados num sistema fechado/bloqueado.  Claro que a classe política e a elite dirigente se queixa (fica-lhes bem)  da alta abstenção, do desinteresse dos mais jovens e da apatia dos cidadãos pela política. Apesar das palavras bonitas, o problema é que, na prática, quase tudo fazem para que isso aconteça. E, claro, se tudo se fizer para que assim aconteça, irá mesmo acontecer. É pena, mas é a realidade política nacional e europeia. Podia e devia ser outra!

© Augusto Küttner de Magalhães, 10/09/2019