“Mais vale ser temido do que amado”: a prática maquiavélica de Trump com os aliados

 

Estamos a nível mundial a evoluir de uma forma tão célere, que por vezes nos é demasiado difícil acompanhar todo esse caminho. Mas o ser humano, enquanto pessoa, repete os mesmos trajectos ainda que em épocas diferentes, e parece que não deixará nunca de assim o fazer. Logo, guerras, pessoas de maus instintos, trapaceiros, incompetentes — e a compensar a paz pessoas de bom carácter, honestas, capazes e competentes —, farão sempre o mundo rodar. Países que ao longo dos tempos “mandaram” no mundo hoje são uma sombra do que já foram. Veja-se o Reino Unido, a Áustria e muitos mais. Será talvez uma realidade inevitável, com uns ascensão e outros em queda, alternando-se no “poder mundial”!

Os EUA estão no início de uma possível queda, e de deixarem de ser o primeiro país mundial a nível económico, militar e até cientifico, daí as atitudes nacionalistas dos americanos e a “sua” fuga em frente, com a escolha para a Presidência, de Donald Trump. A Europa como um todo, não se soube — nem consegue, hoje saber — entender-se para voltar a ter relevo, neste tempo, como União importante e destacada. Só tem duas hipóteses: ou se une e dinamiza, ou vai ser uma sombra — vergonhosa — do que já foi. Entretanto temos a China que já está em segundo lugar a seguir aos EUA, e poderá passar para primeiro se todos os outros, entre os quais nós europeus, a deixarem ascender. Mas se Trump quer fazer do mundo uma espécie de “saco de socos e glorificação”, chegou o tempo exacto de o contrariar isolando-o, ou então perderemos, todos, a batalha.

Nós, Europa, temos que nos precaver para não enfraquecer de vez, dando a volta e fazendo-nos a caminho, conseguindo ser e sobreviver sem contar, nos temos próximos, com os EUA. Até a Alemanha aqui connosco na Europa deve “escolher” conseguir vender muitos mais Mercedes, BMW e VW para todo o mundo compensando o que deixaria de exportar para os EUA, ou ficará submetida a estes! Quanto às cimeiras do G7 (e do G20) — dos “grandes”, numa palavra —, têm que passar a ser grupos de potências  responsáveis, onde os EUA não mandarão a seu bel-prazer na lógica da “América first” de Donald Trump!

A Europa e outros aliados dos EUA têm de peceber que Trump os trata na lógica da velha máxima de Maquiavel “mais vale ser temido do que amado”. E que essa atitude de poder vai permanecer com Trump, enquanto este for Presidente dos EUA. Provavelmente, muitos americanos até se revêm nela, por estranho que isso pudesse parecer, há uns tempos, com Barack Obama. Donald Trump poderá assim ter ter conquistado uma certa “alma americana” até conseguir ser reeleito em 2020. Face a isto tudo, se os EUA actuam por si, sózinhos — e que sejam muito afortunados — os europeus e outros alidaos têm de seguir outra via, ou estaremos muito mal. Haja vontade política de dar esse passo em frente sem mais populismos e nacionalismos!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 10/06/2018