O medo faz-nos irracionais (na política)

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
O medo leva-nos a tomar atitudes totalmente impensadas, como única forma de sobreviermos, a esse mesmo medo, até vivendo ainda é Democracia. Atitudes que roçam a irracionalidade e cujas consequências podem vir a criar “mais medos” e destes, depois, dificilmente se conseguir sair. Muitas guerras têm origem em “medos”, de perder o que se tem, ou assumindo que os outros vão ficar com mais — de tudo — que nós, e até nos irão abafar/anular, de vez. Nestas primeiras décadas deste século XXI estamos “assim”, com muitos medos — fazendo de conta que somos tão fortes, que não os temos — e fugindo em frente. E se o que nos rodeia assusta-nos, quereremos forçosamente algo “de diferente”. Como o medo é que nos está a (des) orientar, deixamos de ter capacidade de raciocinar, livremente, por nós e a frio, e por assim, nem nas resultados que advirão das atitudes tomadas, dos caminhos escolhidos. E, como o movimento de massas é contagioso, havendo medos, irracionaliza-se tudo, e estamos e vamos continuar com medo, até de ter medo, e fazemos escolhas erradas e/precipitadas. O medo da globalização, da abertura — ambos com muitos problemas que em algumas vertentes nos estão a prejudicar — corremos, sem pensar, para o fechamento, para o pequeno, para o nacional/nosso.

O medo leva-nos a fazer escolhas em “contra-corrente” do que temos/estamos. E, tal como aconteceu com “o” Adolph Hitler — A Besta Humana — que sendo pelo terror, ainda conseguiu terrivelmente criar o Nazismo, o Holocausto, mas hoje escolhemos “pessoas” que unicamente em torno de si mesmas, sem ideias, nos prometem tirar o medo, só! Qual vacina! Os americanos escolheram um “senhor” que só lhes prometeu e de forma “grosseira”, isso! Ser diferente, do que estava. E esta propagação na fuga ao medo — mesmo que não assumido — via irracionalidade, dá força a todos os potenciais “ditadores” extremistas, nacionalistas que por aí andam, e estão-nos aqui a Ocidente. O medo vai-nos atirar para “locais” que nos vão agravar a forma de viver, e dos quais já não vamos ter “escolha” de saída. Claro que para evitar que os medos existentes, ou nem tanto — de refugiados, bombistas, chineses, jihadistas, desempregados, malandros, pretos, brancos, etc., etc. — criam-se, por certo, situações ainda piores.

Assim, teríamos, todos, que conseguir:  parar para pensar. E, se o fizermos, o que parece estar cada vez mais difícil, se não, para já “impossível”, vamos tomar opções mas pensadas e menos
inconsequentes. Se hoje o que temos, a muitos deixou de “servir”, e em demasiados casos com muita razão —convenhamos — em conjunto, todos e com um contributo de cada um, teremos que enxergar novas vias, mais consensuais, mais civilizadas, mais racionais, mais humanos, para o nosso futuro. Se o não fizermos, como parece nos estar a acontecer vamos elegendo “ditadores de meia tijela” por todo o lado, e vamos fugir a medos, metendo-nos em medos muito maiores, dos quais já não conseguiremos sair. Parar, pensar, respeitar os outros e as suas ideias, não insultar,
fazermo-nos respeitar, encontrando saídas possíveis, racionais e consensuais, civilizadas será a via. Se não formos a tempo de “isto” fazer, vamos “penar” horrores, até os vindouros terem tempos seguros, e mesmo a estes não será nada fácil!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 18/11/2016

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