Migrações: Refugiados e Migrantes Económicos

 

Continuamos, não só a Europa, mas essencialmente nesta, a não querer fazer a indispensável distinção entre Refugiados, que perderam tudo e não podem voltar ao seu “local” de residência, e Migrantes Económicos que vivendo no limiar da pobreza nos seus países, procuram melhores “locais”, para conseguirem ter alguma qualidade de vida. E, quanto aos Refugiados, “perder tudo” pode não ser só a nível de habitação, trabalho, mas também a nível de liberdades, ou seja o seu local de residência, a sua Pátria deixou de ser “sua” dado lá não poder voltar, sobre perigo de vida. O migrante económico procura melhor “subsistência”, enquanto o Refugiado procura a única possível “sobrevivência digna como Pessoa”! Tudo isto foi propositalmente confundido e essencialmente no Mundo Ocidental, que supostamente “nascido” na Europa, e pelas colonizações/descobertas passou aos EUA, Canadá, Austrália, e mais onde consideremos como base social o panorama Europeu. Europa, que tendo vivido o Holocausto, o Nazismo, horrendos, já depois de uma grave experiência da I Guerra Mundial, tenta abolir os “nacionalismos e fascismos” e tenta ainda recordando o terror, unir-se, com base no Capitalismo, mas com regras, autoridades definidas, princípios e valores para não haver retrocessos.

Claro que a mente humana “pensa” e não poucas vezes perverte-se com o poder associado ao dinheiro — o primeiro “manda” e o segundo “domina”, e, juntos “corrompem” —, e repetem-se mesmo que em outros ciclos, os mesmos erros do passado, com o qual nunca se quer aprender, antes se quer esquecer, para cair no mesmo lamaçal. E estamos “nisto”. E claro que os EUA são hoje a fonte de Movimentos Xenófobos, Nacionalistas, de Extrema-Direita, e Trump é disto tudo um bom exemplo, e claro que movimentos como o Tea Party, não deixam nada a dever a muitos nacionalismos assanhados. As “esquerdas” perderam totalmente o rumo e ficaram no passado, esquecido que apesar do “ser humano” continuar o mesmo, os tempos evoluem. E as esquerdas, infelizmente, deixaram-se ficar para trás. E, sem muitos entenderem o que estão a fazer, utilizam no seu “próprio corpo” símbolos que são lançados pelos nacionalistas de extrema-direita, e hoje um deles é o cabelo rapado dos lados e crescido em cima. E vamos não alcançando, muitos, outros bem-mal sabem o que fazem, que se estão a criar novamente imagens a caminho de fascismos.Todas as campanhas mais ou menos veladas contra “muçulmanos, judeus, negros” são um indício do desastre que Hitler criou de uma raçã pura, outrora “ariana”, aqui e agora a “branca”.

Não estamos a querer perceber e na Europa é gravíssimo, até pelo grande envelhecimento demográfico, que necessitamos e rapidamente de “misturarmo-nos e nunca de nos isolarmos”. E não ser branco ou preto, ou muçulmano, cristão ou judeu, mas somente Pessoa. A junção de todas as Pessoas criaria uma Europa forte, que hoje não é de modo algum o centro do pensamento, da cultura, da força do Mundo, mas ainda tem “neste” alguma influência. Ao acolhermos muito bem refugiados estaríamos a dar um contributo humano a estes, mas a nós próprios também, quer por desenvolvermos mais “pessoas” nesta Europa em despovoação, quer por querermos misturarmo-nos e demonstrar sem problemas, sem guetos, sem exclusões, sem nacionalismos, o futuro com estabilidade. E os Refugiados para os quais há formas de distinguir se não são só Migrantes Económicos, seriam incluídos, e com regeras e valores — que já nem para nos temos —, fazer-se uma Nova Europa. Claro que os migrantes Económicos, talvez não pudessem ser acolhidos, nesta fase, mas não correriam perigo de morte se “para trás tivessem que voltar”. Se assim não fizermos, vamos alimentando racismos, extrema-direita, xenofobia, exclusões, e vamos ficar muito mal no retrato quando nacionalismos estenderem-se uma vez mais a Europa, e envolverem-se ao resto do Ocidente que ainda nos vai seguindo. Mas não está fácil encontrarmos rumo, certo!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 14/07/2017