Não se apaga a História!

 

Nas mais diversas áreas há, hoje, uma vontade escamotear a História e apagar a Memória, como se “realidades, tão reais” não tivessem acontecido. Aconteceu a dada altura, por exemplo,  mas rapidamente emendada com a Alemanha e o Nazismo, nascido no seu próprio país, e hoje a Alemanha, dentro de portas, tem memórias muito louváveis do Holocausto. Algo que de horrível aconteceu com a Alemanha a “organizar com um austríaco à sua frente”, mas aconteceu, não pode ser anulado ou alterado. A Polónia há pouco quis disfarçar, as suas responsabilidades no Holocausto, tendo tido no seu território dos piores campos de concentração, chamando-lhes outro nome e querendo dar a entender, que não tinham nada a ver com “isso”, a não ser terem estado indevidamente no seu espaço. Quando se sabe que não foi bem assim.

E vai-se recuando no tempo. Agora não se quer um Museu dos Descobrimentos em Lisboa como se não tivéssemos tido algo no passado do qual até nos podemos “enaltecer”, que foi ter realizado os Descobrimentos. Isto, numa época em que não tendo como sobreviver cá dentro fomos “dar novos mundos ao Mundo”, sendo uma heróica e bem programada aventura. Os resultados foram visíveis. Depois desaproveitamos quase tudo, não soubemos usufruir do que fomos descobrindo. Fizemos “negócios” de escravos e levámo-los de forma terrível em tráfico de África para o Brasil. Foi uma realidade, como hoje é estar-se hoje deslumbrado horas a ver a retirar doze crianças de uma gruta na Tailândia, quando, ao mesmo tempo, nada se faz para proteger 700.000 rohingya no Bangladesh, enxotados de forma inumana da Birmânia, hoje Myanmar. Fizeram-se coisas “hediondas” pelos colonizadores como hoje ainda se fazem, nos países antes colonizados  — hoje independentes — por quem lá ficou! E como sempre, humanos farão mal a humanos, mas pior será quando se tenta apagar ou esquecer a História.

Não vamos apagar o passado! Foi um facto, aconteceu — não deveria ter acontecido —, mas não se põe uma pedra em cima, não se faz cosmética com os nomes. Tenta-se — depois de tanto mal feito —, dar o exemplo histórico do que não devemos repetir. Nós e “outros”! E hoje, infelizmente, em determinadas localizações, já se podem testemunhar racismos ao contrário — que não se querendo assumir como de vingança, mas podendo sê-lo. A História e a Memória não se apagam. Os cristãos/católicos fizerem barbaridades na Inquisição. Os judeus também fizerem barbaridade contra os cristãos; muçulmanos estremados fazem barbaridades contra quem não os segue. A História implica Memória e o ser humano  cometeu muitas atrocidades contra os seus iguais. E a Europa não se  deve vergar, nem pode ter medo de chamar os devidos nomes a quem e aos factos, que esses nomes devem “ter”, por serem autênticos! Mais ainda quando tantos, hoje, de vários lados querem tornar a Europa inexistente, ou insignificante. E temos demasiados factos como o “Brexit”, a aproximação entre Trump e Putin, os nacionalismos e outros, onde parece hoje estarmos a repetir comportamentos históricos, incluíndo alguns que levaram a duas guerras mundiais e nos destruíram. Vamos então apagá-los e repeti-los?

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 11/07/2018