O Norte da Europa mais cumpridor, o Sul mais humano

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Algumas das características dos Povos do Norte da Europa, se fosse possível serem “adoptadas” por nós a Sul, e o inverso também ser feito, faria uma Europa mais Unida, de facto, e mais tolerante. De modo algum se pretenderia e menos se desejaria, “igualar, uniformizar tudo e todos”! Nunca! Pelo que todo o passado, a História de cada Povo, de cada País teria que permanecer e até ser muito mas realçada do que vem a acontecer neste tempo de “estandardização” imposta pela “globalização”! O Sul e com muita veemência no nosso País, e que se agrava a cada dia que passa, “estamos no não-civismo”. Estamos com um repúdio determinado por tudo o que seja respeitar o outro, por regras e normas, vale tudo, desde que o “eu” se sobreponha. Mas aqui a Sul, aqui em Portugal, “ainda” temos simpatia, cordialidade e vontade de sermos “humanos”, algo que a Norte não existe e que poderíamos com eles repartir. Quanto à nossa fuga “absoluta” e cada vez mais evidente em “cumprir, em sermos pontuais”, em seguir regras e normas que proporcionem melhores vivências em sociedade, estamos a ter que muito de lá – Norte – ter que absorver.

O perfeito desrespeito, começa na condução automóvel, no trânsito e reflecte-se em tudo o resto das nossas vidas. Ninguém respeita o que quer que seja, e quem quer que seja, cada um por si, e tudo ao monte. Quando estamos como “peões”, logo sem volante na mão, e tentamos não assumir a selvajaria generalizada, logo, só utilizando passadeiras, para não andar pelo meio da rua, “estamos feitos”. Permitirem-nos exercer o direito de passagem em locais criados para tal, é uma execpção, e face à (a)normalidade destes procedimentos, é um risco fazê-lo. Não poucas vezes quando não deixam passar para o outro passeio, pela “passadeira, digo “obrigado”. Bem, as consequências , hoje, são das mais curiosas, desde se darem ao trabalho de parar , recuar e mandarem a “um sítio” – mas não pararam para deixar passar -, a acenarem com a mão erguida e o dedo do meio realçado, elas e elas, ou chamarem de “velho”.

Um destes dias, depois de um “obrigado”, uma jovem pelos trinta, que vinha atrás a pé também, disse que de facto “isto está uma autêntica selva”, e aproveitámos o percurso com cuidado, de várias passadeiras, para ir falando, e tentando chegar ao outro lado de cada rua. Dois talvez se “vejam” mas que só um. A dada altura a jovem disse “ o meu país de eleição é a Áustria, e lá nada disto acontece”, respondi-lhe que estava a falar com alguém cuja mãe era austríaca. O que deu mais uns minutos de conversa até ao último passeio em que cada um seguiu para seu lado. Sobre civismo, respeito, educação! Ou seja, está assumido por todos e cada um que quanto menos regras forem cumpridas, melhor. E lá para o Norte é exactamete o contrário.Claro que lá para o Norte da Europa não são tudo maravilhas, não, a Áustria até insiste em ter um Presidente da Extrema-direita. São todos a Norte, mais brutos, menos humanos, mais impessoais e gostam de nos espezinhar e humilhar, cá par Sul. Veja-se o gozo que o Sr. Schäuble, na Alemanha, e mais uns do Norte que vagueiam por Bruxelas a quererem castigar-nos de sanções! Assim, num tempo e espaço hipotéticos, teríamos -mas nunca acontecerá – que fazer intercâmbio de características Sul-Norte, Norte-Sul, sem ninguém perder as suas, mas serem absorvidas as positivas dos e pelos outros. Mas não parece haver vontades, nós queremos continuar bastante incivilizados e não pontuais, eles durões, desumanos e “armados” em superiores. E lá se vai desconstruindo a Europa, a bom ritmo.

 

© Augusto Küttner de Magalhães,  15/07/2016